Publicado em 16 de setembro de 2026 às 08:30
O clima nos corredores do poder brasileiro azedou de vez. Em uma das sessões mais quentes e polarizadas dos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal (STF) viu sua pacificação naufragar em meio a bate-bocas, acusações cruzadas e um racha evidente entre os ministros. O motivo de tanta turbulência foi o debate sobre investigar ou não a conduta de Alexandre de Moraes em decorrência de ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.>
Contudo, antes mesmo de debater o mérito da acusação, a Corte travou em uma verdadeira queda de braço processual. O grupo liderado por Gilmar Mendes tentava unir as análises envolvendo Moraes e André Mendonça. Do outro lado, a maioria preferiu manter os trilhos separados.>
A votação terminou em 4 a 3 pela separação, com votos a favor de Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia. O impasse só ganhou fôlego quando Flávio Dino pediu vista direito de analisar melhor o processo, o que empurra qualquer definição para daqui a até 90 dias.>
O caldo entornou ainda mais quando o próprio Dino jogou luz sobre novos elementos no ventilador, mencionando conversas de celulares de Vorcaro que respingam nos familiares de Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Enquanto isso, o reflexo dessa guerra fria é imediato e prático: sessões anteriores já haviam sido canceladas para tentar apaziguar os ânimos, deixando na gaveta decisões cruciais sobre saúde e outras pautas vitais para o país.>
Com Nunes Marques e Dias Toffoli fora do jogo por impedimento ou suspeição, e a próxima terça-feira (23) cercada de incertezas sobre o destino do caso Mendonça, o STF tenta neste momento retomar a rotina de pautas gerais nesta quarta-feira. Resta saber se o tribunal conseguirá blindar a justiça das turbulências políticas ou se a crise continuará ditando o ritmo do país.>