Publicado em 2 de setembro de 2026 às 14:52
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado iniciou, na manhã desta quarta-feira (2), a análise da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221 de 2019, que acaba com a jornada de trabalho 6x1. O relator da proposta, senador Omar Aziz (PSD-AM), rejeitou todas as 36 emendas apresentadas, incluindo as tentativas da oposição de manter o regime de seis dias de trabalho por um de descanso. Anteriormente, no final de maio, a proposta havia sido aprovada na Câmara dos Deputados com ampla margem, registrando apenas 22 votos contrários entre os 513 parlamentares.>
Entre as propostas de alteração descartadas estão as emendas dos senadores Izalci Lucas (PL-DF), Vanderlan Cardoso (PSD-GO), Oriovisto Guimarães (PSDB-PR), Laércio Oliveira (PP-SE) e do líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), que tentavam preservar a jornada 6x1. O relator explicou que não poderia acatar essas modificações porque elas permitiriam jornadas superiores a 40 horas semanais, o que desconfiguraria o objetivo principal do projeto. Segundo Aziz, a prioridade da PEC é reduzir a carga de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem perda salarial, assegurando dois dias de descanso para o trabalhador passar com a família.>
O parecer do relator também rejeitou emendas que tentavam ampliar a regra de transição da nova jornada de 14 meses para até quatro anos. Além disso, foram barradas sugestões dos parlamentares para condicionar a eficácia da PEC a uma lei complementar posterior e pedidos de compensação fiscal para as empresas afetadas pela mudança. Atualmente, o texto estabelece que, além de acabar com a escala de trabalho 6x1 e garantir o descanso de dois dias na semana sem redução salarial, a transição para a carga de 40 horas semanais ocorrerá em um período de 14 meses.>
Os senadores de oposição, por sua vez, argumentaram em favor da flexibilização das regras e de alternativas à rigidez da escala única. Os senadores Izalci Lucas e Oriovisto Guimarães defenderam que a negociação coletiva entre patrões e empregados seria o caminho mais adequado para definir as escalas de acordo com a realidade de cada setor de trabalho. Já o líder da oposição, Rogério Marinho, apresentou uma emenda que permitia a escala 6x1 em regime de hora trabalhada, justificando que a rigidez de uma redução linear de horas sem aumento de produtividade nacional traz o risco de gerar desemprego e inflação.>
Em resposta às críticas, Omar Aziz rebateu a tese de prejuízo econômico, afirmando que o Brasil não vai "quebrar" com a nova jornada, fazendo um paralelo com a redução de 48 para 44 horas semanais ocorrida em 1988. Ele também criticou a adoção do regime de pagamento por hora trabalhada e reforçou que os empregados representam a parte mais frágil na relação de trabalho, necessitando de proteção legal. O senador destacou que outros países da América Latina, como Chile, Colômbia e México, adotaram nos últimos anos cronogramas semelhantes de redução e que o Brasil hoje se encontra defasado, com uma jornada superior ao padrão estabelecido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) há mais de 30 anos.>
Com a leitura do relatório na comissão, se a PEC for aprovada pela CCJ, ela seguirá diretamente para apreciação no plenário do Senado. Lideranças governistas na Casa articulam para que a análise e votação da proposta pelos senadores sejam concluídas ainda nesta quarta-feira (2).>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>