‘Saúde não é para rico’, afirma Lula ao pedir que diretor da OMS leve recado a Trump sobre o SUS

Em evento no Rio de Janeiro, presidente defende sistema universal e sugere que Tedros Adhanom mostre a Washington como o Brasil garante tratamento igualitário a todos os cidadãos.

Publicado em 28 de julho de 2026 às 18:39

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à UOM e a veículo do SAMU, no Hospital Federal do Andaraí, Rio de Janeiro - RJ.
Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante visita à UOM e a veículo do SAMU, no Hospital Federal do Andaraí, Rio de Janeiro - RJ. Crédito: Ricardo Stuckert

Durante um evento realizado no Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva solicitou ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, que atue na divulgação internacional do modelo do Sistema Único de Saúde (SUS). Lula aproveitou a ocasião para enviar uma mensagem direta ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, criticando a visão de que a saúde deva ser um privilégio de quem possui recursos financeiros. O presidente brasileiro sugeriu que Tedros explique a Trump como um país que não possui a riqueza dos Estados Unidos consegue assegurar a cada cidadão o mesmo tratamento destinado ao chefe de Estado.

“Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente”, declarou Lula ao defender o financiamento público e a igualdade no acesso a tecnologias médicas. O petista ressaltou que qualquer pessoa humilde que necessite de radioterapia utilizará o mesmo tipo de equipamento que líderes mundiais, como Xi Jinping, Putin ou ele próprio. Para o presidente, o objetivo do governo é provar ao mundo que a pobreza não pode ser uma sentença de morte por falta de assistência qualificada.

Durante o discurso, Lula lembrou que o próprio diretor da OMS utilizou os serviços do sistema público brasileiro ao passar mal durante a reunião do G20, no Rio de Janeiro. "Ele ficou doente, foi internado e foi tratado pelo SUS. Está com vida aqui", afirmou o presidente ao destacar a eficácia do atendimento. Lula classificou as ações atuais na saúde como uma "revolução", admitindo que, embora ainda existam desafios, o compromisso do Estado brasileiro deve ser o fator determinante para salvar vidas, e não a conta bancária do paciente.

O presidente também fez alusão ao histórico de cortes de verbas dos EUA para a OMS durante a gestão Trump, reforçando que a saúde deve ser tratada com respeito, independentemente de cor, sexo ou religião. Ao concluir, Lula pediu que a experiência brasileira de "cuidar de gente" seja apresentada por Tedros Adhanom como um modelo de dignidade humana para as demais nações.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.