Servidoras são investigadas por compra de votos e PF apreende R$ 1,8 milhão em espécie no Amapá

Operação apura suspeitas de compra de votos, coação eleitoral e uso de programa social para obter apoio político.

Publicado em 1 de outubro de 2026 às 17:50

os agentes encontraram aproximadamente R$ 1,85 milhão em dinheiro, além de valores em euros e dólares
os agentes encontraram aproximadamente R$ 1,85 milhão em dinheiro, além de valores em euros e dólares Crédito: Reprodução/PF

A Polícia Federal cumpriu, nesta quinta-feira (1º), mandados de busca e apreensão no Amapá durante uma investigação sobre possíveis crimes eleitorais. A ação também resultou no afastamento cautelar de duas servidoras públicas.

Em um dos endereços vistoriados, os agentes encontraram aproximadamente R$ 1,85 milhão em dinheiro, além de valores em euros e dólares. Também foram recolhidos aparelhos eletrônicos e documentos que poderão ser analisados no decorrer da apuração. A Justiça autorizou ainda o acesso a dados armazenados em serviços de computação em nuvem.

A investigação é conduzida pelo Ministério Público Eleitoral, por meio da Procuradoria Regional Eleitoral no Amapá (PRE-AP), com apoio da Polícia Federal e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPF. As medidas foram autorizadas pela Justiça Eleitoral.

De acordo com o Ministério Público Federal, sete pessoas são investigadas. A apuração busca esclarecer se o programa estadual Renda para Viver Melhor e a distribuição de cestas básicas teriam sido utilizados para obter apoio político.

O MPF aponta indícios de que a inclusão ou permanência de famílias no programa poderia estar condicionada ao compromisso de votar em determinados candidatos. Também existem relatos de supostas ameaças de retirada dos benefícios caso o apoio não fosse confirmado nas urnas. As informações fazem parte da investigação e ainda precisam ser comprovadas.

O órgão informou ainda que o número de beneficiários do Renda para Viver Melhor, que vinha se mantendo em torno de 10 mil, chegou a 13.305 pessoas em junho de 2026. Segundo o MPF, esse dado, isoladamente, não comprova irregularidade, mas foi considerado junto com outros documentos e comunicações obtidos durante a apuração.

Servidoras foram afastadas

Duas servidoras tiveram o afastamento cautelar determinado pela Justiça Eleitoral. Uma delas atua no Super Fácil e a outra na Assembleia Legislativa do Amapá. A medida vale até o fim do segundo turno das eleições.

Segundo a PF, as ações realizadas nesta quinta-feira têm caráter cautelar e buscam reunir elementos para esclarecer os fatos investigados. O inquérito segue em andamento.

A operação ocorre às vésperas do primeiro turno das Eleições 2026, marcado para domingo (4). A Polícia Federal informou que, até 1º de outubro, havia instaurado 1.224 inquéritos relacionados a crimes eleitorais em todo o país neste ano.

A corporação mantém operações de investigação e atendimento de ocorrências relacionadas ao pleito em articulação com a Justiça Eleitoral e outros órgãos de segurança.