Sob forte esquema, Deolane Bezerra é transferida para presídio no interior de São Paulo

Apontada pelo Ministério Público como peça-chave no fluxo de caixa do PCC, influenciadora deixou a capital na madrugada desta sexta-feira.

Publicado em 22 de maio de 2026 às 10:50

Sob forte esquema, Deolane Bezerra é transferida para presídio no interior de São Paulo
Sob forte esquema, Deolane Bezerra é transferida para presídio no interior de São Paulo Crédito: Reprodução/Redes sociais

A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi transferida nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (22) para a Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, localizada no interior do estado de São Paulo. A mudança de presídio foi confirmada oficialmente por Nico Gonçalves, secretário de Segurança Pública paulista. Deolane havia passado a noite anterior na Penitenciária Feminina de Sant'Ana, na zona Norte da capital considerada a maior unidade prisional para mulheres do estado e que, de acordo com dados da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP), enfrenta problemas crônicos de superlotação. Ela deixou o local por volta das 5h da manhã.

A transferência acontece logo após a sua prisão preventiva na última quinta-feira (21), durante a Operação Vérnix. Deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de Presidente Prudente, a ação policial mira um esquema multimilionário focado em ocultar a origem de recursos ilegais. Segundo os investigadores e promotores do caso, Deolane não seria um membro tradicional ou "batizado" da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mas atuaria diretamente na engrenagem de sua "arquitetura financeira", sendo classificada pelas autoridades como um verdadeiro "caixa" do grupo.

De acordo com o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, o perfil da influenciadora se encaixa no que ele batizou de "a nova face do PCC", que envolve pessoas de alta relevância social ou digital que utilizam sua estrutura para movimentar e lavar dinheiro ilícito. Gakiya revelou ainda que as investigações apontam que Deolane mantinha uma relação de extrema proximidade com parentes do líder máximo da facção, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, participando ativamente de encontros, viagens e festas familiares desde meados de 2022.

O que parece uma descoberta recente é, na verdade, o desfecho de uma linha de investigação que começou há sete anos. Em 2019, agentes penitenciários encontraram bilhetes e manuscritos escondidos com detentos na Penitenciária II de Presidente Venceslau. Os papéis descreviam rotinas internas da facção e citavam o envolvimento de uma misteriosa "mulher da transportadora", cuja identidade permanece sob sigilo, suspeita de financiar atentados contra servidores públicos.

A partir dessa primeira apreensão, as autoridades abriram três frentes de investigação sucessivas. A primeira fase investigou diretamente os criminosos que guardavam os bilhetes na prisão. Em seguida, a segunda etapa identificou e mapeou a empresa Lopes Lemos Transportes, apontada como fachada para lavar os recursos da facção.

Por fim, a terceira fase, batizada de Operação Lado a Lado, trouxe a quebra de sigilo do celular de um homem conhecido como "Player", o Everton de Souza, revelando o elo definitivo com a famosa. No aparelho, policiais encontraram conversas e comprovantes de depósitos bancários feitos diretamente para contas ligadas a Deolane Bezerra, consolidando os indícios de sua atuação na lavagem de capitais.

Enquanto a influenciadora segue detida no interior do estado, o Gaeco e a Polícia Civil dão continuidade aos trabalhos. O foco agora se concentra no bloqueio de bens, análise de movimentações bancárias suspeitas e no rastreamento de outras empresas que possam ter sido utilizadas para ocultar o patrimônio da facção.

Por outro lado, a equipe jurídica e os familiares de Deolane negam veementemente qualquer envolvimento com o crime organizado. Em nota oficial divulgada logo após a prisão, a banca de advogados que representa a famosa reafirmou sua "absoluta inocência" e classificou as medidas adotadas pela Justiça como "desproporcionais", garantindo que todas as atividades profissionais da advogada são estritamente lícitas.

Nas redes sociais, a irmã de Deolane, Daniele Bezerra, foi ainda mais incisiva. Ela publicou um desabafo acusando as autoridades de promoverem uma perseguição e um espetáculo midiático contra sua irmã. Segundo Daniele, a prisão foi baseada em suposições e narrativas criadas para destruir a imagem pública de Deolane antes mesmo que qualquer prova robusta fosse apresentada ou julgada nos tribunais.