Publicado em 13 de março de 2026 às 13:51
O Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta sexta-feira (13), manter a prisão preventiva do ex-banqueiro Daniel Vorcaro e de outros três investigados no mesmo caso. A maioria dos ministros acompanhou o voto do relator, André Mendonça, que considerou haver elementos suficientes para sustentar a medida enquanto as investigações seguem em andamento.>
No voto apresentado à Segunda Turma do STF, Mendonça reafirmou os fundamentos da decisão tomada no início de março e contestou os argumentos apresentados pela defesa do ex-banqueiro. Segundo o ministro, há indícios consistentes de que os investigados poderiam interferir no andamento das apurações caso permanecessem em liberdade.>
Um dos pontos destacados pelo relator foi a análise do celular de Vorcaro, que revelou novas mensagens com teor violento, incluindo ameaças de morte e possíveis ligações com grupos de milícia. Para Mendonça, esse material reforça a necessidade da prisão preventiva e demonstra que os riscos à investigação continuam presentes.>
O ministro também respondeu ao posicionamento da Procuradoria-Geral da República, que havia argumentado que as mensagens eram antigas e, portanto, não indicariam ameaça atual às apurações. De acordo com Mendonça, esse entendimento não elimina o risco, já que crimes relacionados à organização criminosa possuem natureza permanente, ou seja, podem continuar ocorrendo enquanto houver associação estruturada entre os envolvidos.>
A decisão judicial deixa de valer para Luiz Phillipi Mourão, apontado como um dos investigados no caso, porque ele morreu após ser preso.>
O julgamento ocorre na Segunda Turma do STF, composta por Mendonça, Gilmar Mendes, Kássio Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli. Toffoli, no entanto, decidiu não participar da votação. A ausência abriu espaço para a possibilidade de empate no julgamento, cenário que poderia favorecer os investigados com medidas mais brandas, como prisão domiciliar ou monitoramento por tornozeleira eletrônica.>
Vorcaro havia sido preso novamente no dia 4 de março, quando a Justiça autorizou novos mandados de prisão preventiva contra ele e outras três pessoas. A decisão foi baseada em investigação da Polícia Federal, que apontou suspeitas de tentativa de interferência nas investigações.>
De acordo com os investigadores, os envolvidos teriam se articulado para acessar dados sigilosos e intimidar jornalistas e adversários. A apuração também indicou possíveis acessos indevidos a sistemas restritos de órgãos como a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até entidades internacionais, como a Interpol.>
Outro ponto que gerou debate foi o fato de a decisão de Mendonça ter sido tomada sem um parecer prévio da Procuradoria-Geral da República. O ministro havia concedido prazo para manifestação do órgão, mas a instituição informou que o tempo disponível seria insuficiente para analisar o caso.>
Na decisão, Mendonça criticou a postura da PGR e afirmou lamentar o fato de o órgão não identificar risco imediato na situação. Em resposta, o procurador-geral Paulo Gonet declarou que a posição da PGR em processos criminais não pode ser tratada como mera formalidade. Ele reiterou que as mensagens atribuídas a Vorcaro eram antigas e que, apesar do conteúdo considerado grave, não representariam ameaça atual às investigações.>