Superintendentes da PF defendem autonomia técnica após decisões de ministro do STF

Nota assinada pelas 27 regionais reafirma que investigações não se submetem a interesses políticos.

Publicado em 6 de agosto de 2026 às 14:21

Sede da Polícia Federal (PF).
Sede da Polícia Federal (PF). Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os 27 superintendentes regionais da Polícia Federal divulgaram, nesta quinta-feira (6), uma nota conjunta reafirmando o compromisso da instituição com a Constituição, a legalidade e a imparcialidade. No documento, os delegados enfatizam que a atuação da PF é estritamente técnica, independente e orientada exclusivamente por fatos e provas, sem se submeter a pressões ideológicas ou pessoais.

O posicionamento ocorre durante um momento de forte atrito com o gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator de inquéritos sobre fraudes no INSS. O magistrado determinou que a PF apresente imediatamente todas as informações e perícias do caso, além de exigir que qualquer mudança na equipe de investigação seja comunicada previamente ao seu gabinete.

A tensão escalou após a PF alterar a coordenação do inquérito em maio, medida que desagradou o ministro. Além disso, Mendonça ordenou que o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, não tenha acesso às informações do caso. Rodrigues rebateu a determinação, afirmando que já cumpre a regra de não interferir em inquéritos de subordinados há mais de duas décadas.

As investigações em questão envolvem Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente da República. Ele é apontado na investigação como suposto sócio oculto de um suspeito preso desde o fim do ano passado e teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pelo STF no início de 2026.

Em uma reação considerada inédita, a Polícia Federal acionou a Advocacia-Geral da União (AGU) para contestar judicialmente as recentes decisões de Mendonça. Para tentar estancar a crise, o advogado-geral da União, Jorge Messias, busca articular uma reunião entre o ministro da Justiça, Wellington César, e o magistrado do STF para distensionar a relação entre os órgãos. Os superintendentes reforçaram na nota que a independência técnica e a autonomia administrativa são indispensáveis para o cumprimento da missão constitucional da PF.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.