Suplente de Davi Alcolumbre e chefe do Dnit são indiciados por fraudes em obras no Amapá

Investigação sobre corrupção em contratos rodoviários federais é concluída com flagrante de saque de R$ 350 mil em dinheiro vivo.

Publicado em 22 de maio de 2026 às 11:49

Suplente de Davi Alcolumbre e chefe do Dnit são indiciados por fraudes em obras no Amapá
Suplente de Davi Alcolumbre e chefe do Dnit são indiciados por fraudes em obras no Amapá Crédito: Reprodução

A Polícia Federal encerrou uma de suas investigações mais complexas sobre desvio de recursos públicos no Amapá com o indiciamento do empresário Breno Chaves Pinto, conhecido politicamente por ser o suplente do senador Davi Alcolumbre (União-AP). O relatório final do inquérito, encaminhado à Justiça Federal nesta sexta-feira (22), também aponta o envolvimento direto de Marcello Linhares, atual superintendente regional do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) no estado. Ambos são suspeitos de integrar uma rede criminosa que fraudava licitações de obras em rodovias federais.

O esquema funcionava por meio de uma ponte clandestina entre o setor privado e o funcionalismo público. De acordo com os investigadores, o grupo atuava em perfeita sintonia para manipular processos internos do Dnit, direcionar o resultado de concorrências públicas e agilizar a liberação de pagamentos de contratos federais. Mensagens e documentos apreendidos durante as diligências revelaram uma rotina de conversas frequentes entre os envolvidos, que debatiam abertamente sobre o direcionamento de orçamentos, o andamento de obras viárias e movimentações administrativas estratégicas dentro do órgão.

O início de toda a apuração se deu após auditorias técnicas identificarem problemas graves na execução de contratos de engenharia rodoviária no Amapá, além de movimentações financeiras totalmente fora dos padrões de mercado. A partir desses alertas, a Polícia Federal passou a monitorar os suspeitos e descobriu um fluxo intenso de saques de altas quantias em dinheiro espécie, uma tática clássica utilizada para apagar rastros bancários e dificultar o controle das autoridades financeiras.

Em um dos momentos mais marcantes da investigação, os agentes federais realizaram um monitoramento de campo e flagraram Breno Chaves Pinto saindo de uma agência bancária carregando R$ 350 mil em dinheiro vivo. Para a corporação, existem fortes indícios de que esses saques constantes estavam diretamente vinculados ao pagamento de propinas e vantagens indevidas decorrentes dos contratos fraudados sob a influência política do empresário.

Com a conclusão do relatório pela Polícia Federal, o caso agora está nas mãos do Ministério Público Federal (MPF), que tem a responsabilidade de analisar as provas reunidas e decidir se oferece denúncia formal contra os indiciados. Caso o MPF siga o entendimento da polícia, o suplente de senador e o chefe do Dnit responderão judicialmente por uma lista extensa de crimes que inclui corrupção, fraude em licitação, tráfico de influência, lavagem de dinheiro e associação criminosa.