Publicado em 4 de agosto de 2026 às 16:29
O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a contar, a partir desta terça-feira (4), com uma capacidade de até 100 mil teleatendimentos mensais voltados exclusivamente para pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas online. A iniciativa, viabilizada por meio do aplicativo Meu SUS Digital, é fruto de uma cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O serviço foi estruturado para oferecer uma assistência remota, totalmente sigilosa e acolhedora, servindo como uma porta de entrada estratégica para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) em todo o território nacional.>
A implementação desse volume de atendimento responde a uma demanda crescente identificada pelo governo federal, visto que dados do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas revelam que mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão de seus CPFs em plataformas de apostas. Desse total, cerca de 35% dos usuários tomaram a decisão especificamente por terem perdido o controle financeiro ou emocional sobre a atividade. O acompanhamento profissional terá como foco mitigar os impactos dessa dependência, que muitas vezes resulta em graves prejuízos às relações pessoais e profissionais.>
O diagnóstico precoce e a busca por ajuda serão estimulados através da identificação de sinais de alerta que o Ministério da Saúde integrará ao protocolo de atendimento. Entre os comportamentos que indicam a necessidade de suporte estão as mudanças bruscas no padrão de sono, na alimentação ou no humor, além do hábito de mentir para amigos e familiares sobre os gastos com o jogo. O serviço também estará atento a sintomas como ansiedade, irritabilidade e o uso das apostas como uma fuga para lidar com episódios de estresse ou frustração, fatores que frequentemente levam ao comprometimento do orçamento pessoal.>
Além do atendimento direto, o programa considerará fatores de risco estruturais, como a facilidade de acesso aos jogos em dispositivos móveis, a exposição precoce a esses conteúdos e a vulnerabilidade social dos apostadores. Profissionais qualificados estarão preparados para lidar com casos em que o vício em "bets" esteja associado a outros transtornos mentais, como depressão ou impulsividade na busca por recompensas imediatas. Com essa estrutura, o sistema público de saúde estabelece uma rede de proteção para enfrentar o isolamento social e os danos emocionais provocados pela expansão desenfreada do mercado de apostas digitais no país.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>