SUS terá 100 mil atendimentos por mês para combater o vício em bets; entenda

Novo serviço disponível via aplicativo Meu SUS Digital.

Publicado em 4 de agosto de 2026 às 16:29

Medida Provisória nº 1.348 de 2026, estabelece que os recursos obtidos pelo governo com essas apostas sejam destinados ao fundo da corporação.
Medida Provisória nº 1.348 de 2026, estabelece que os recursos obtidos pelo governo com essas apostas sejam destinados ao fundo da corporação. Crédito: Reprodução

O Sistema Único de Saúde (SUS) passará a contar, a partir desta terça-feira (4), com uma capacidade de até 100 mil teleatendimentos mensais voltados exclusivamente para pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas online. A iniciativa, viabilizada por meio do aplicativo Meu SUS Digital, é fruto de uma cooperação técnica entre o Ministério da Saúde, o Ministério da Fazenda e a Agência Brasileira de Apoio à Gestão do SUS (AgSUS). O serviço foi estruturado para oferecer uma assistência remota, totalmente sigilosa e acolhedora, servindo como uma porta de entrada estratégica para a Rede de Atenção Psicossocial (Raps) em todo o território nacional.

A implementação desse volume de atendimento responde a uma demanda crescente identificada pelo governo federal, visto que dados do Observatório Saúde Brasil de Apostas Eletrônicas revelam que mais de 1 milhão de pessoas já solicitaram a autoexclusão de seus CPFs em plataformas de apostas. Desse total, cerca de 35% dos usuários tomaram a decisão especificamente por terem perdido o controle financeiro ou emocional sobre a atividade. O acompanhamento profissional terá como foco mitigar os impactos dessa dependência, que muitas vezes resulta em graves prejuízos às relações pessoais e profissionais.

O diagnóstico precoce e a busca por ajuda serão estimulados através da identificação de sinais de alerta que o Ministério da Saúde integrará ao protocolo de atendimento. Entre os comportamentos que indicam a necessidade de suporte estão as mudanças bruscas no padrão de sono, na alimentação ou no humor, além do hábito de mentir para amigos e familiares sobre os gastos com o jogo. O serviço também estará atento a sintomas como ansiedade, irritabilidade e o uso das apostas como uma fuga para lidar com episódios de estresse ou frustração, fatores que frequentemente levam ao comprometimento do orçamento pessoal.

Além do atendimento direto, o programa considerará fatores de risco estruturais, como a facilidade de acesso aos jogos em dispositivos móveis, a exposição precoce a esses conteúdos e a vulnerabilidade social dos apostadores. Profissionais qualificados estarão preparados para lidar com casos em que o vício em "bets" esteja associado a outros transtornos mentais, como depressão ou impulsividade na busca por recompensas imediatas. Com essa estrutura, o sistema público de saúde estabelece uma rede de proteção para enfrentar o isolamento social e os danos emocionais provocados pela expansão desenfreada do mercado de apostas digitais no país.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.