Publicado em 2 de fevereiro de 2026 às 10:23
A Polícia Federal prendeu, na noite de sábado (31), um homem de 32 anos apontado como integrante de alto escalão do Primeiro Grupo Catarinense (PGC). A captura ocorreu em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul, cidade que faz divisa direta com Pedro Juan Caballero, no Paraguai, região marcada pela disputa violenta entre organizações criminosas ligadas ao tráfico de drogas e armas.>
Conhecido pelo apelido de “GG”, o suspeito estava foragido desde 2022 e tinha dois mandados de prisão em aberto. Segundo a PF, ele é investigado por envolvimento em dois homicídios qualificados consumados e outras duas tentativas do mesmo crime, além de responder por porte ilegal de armas e outros delitos associados à atuação de facções criminosas.>
Durante a operação, os agentes localizaram na residência do investigado um verdadeiro arsenal: dois fuzis, duas pistolas, grande quantidade de munições e estruturas de segurança reforçadas, como portas blindadas. O conjunto transformava o imóvel em uma espécie de fortaleza, preparada para resistir a possíveis ataques ou incursões policiais. O material apreendido resultou na autuação em flagrante por posse de armamento de calibre restrito.>
Após a prisão, o homem foi conduzido à Delegacia da Polícia Federal de Ponta Porã, onde foram realizados os procedimentos legais. Em seguida, ele foi encaminhado ao sistema prisional de Mato Grosso do Sul, onde permanece à disposição da Justiça.>
A ação foi coordenada pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Santa Catarina, que reúne Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal catarinense e a Secretaria Nacional de Políticas Penais. De acordo com as investigações, o suspeito possui extensa ficha criminal em Santa Catarina e é considerado um dos principais articuladores do PGC fora do estado.>
Facção catarinense e atuação nacional>
Segundo levantamentos acadêmicos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Primeiro Grupo Catarinense surgiu dentro do sistema prisional do estado, em um contexto de superlotação e precariedade estrutural. A organização teria se desenvolvido a partir de um modelo semelhante ao do Primeiro Comando da Capital (PCC), com hierarquia definida, regras internas e divisão de funções.>
Assim como a facção paulista, o PGC adota rituais de ingresso, utiliza códigos numéricos para identificação e mantém uma estrutura segmentada, com núcleos responsáveis por disciplina, articulação e comando. No caso catarinense, o número “1573” representa as letras do nome da organização, seguindo a lógica da posição no alfabeto.>
As investigações também apontam que o grupo mantém alianças estratégicas com outras facções de atuação nacional, como o Comando Vermelho (CV) e a Família do Norte (FDN), ao mesmo tempo, em que figura como rival direto do PCC em disputas por território e influência.>
Para a Polícia Federal, a prisão de “GG” representa um golpe relevante contra a estrutura do PGC, especialmente pela atuação do suspeito fora de Santa Catarina e pela ligação com redes criminosas instaladas na faixa de fronteira, considerada estratégica para o crime organizado no país.>