Tocantins suspende vacina da dengue do Butantan após orientação nacional

Estado aplicou mais de 12 mil doses e registrou apenas reações leves; imunização foi interrompida de forma preventiva.

Publicado em 9 de junho de 2026 às 18:20

Estado aplicou mais de 12 mil doses e registrou apenas reações leves; imunização foi interrompida de forma preventiva.
Estado aplicou mais de 12 mil doses e registrou apenas reações leves; imunização foi interrompida de forma preventiva. Crédito: Reprodução 

Nesta terça-feira (9), a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins (SES-TO) anunciou a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com a Butantan-DV, imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida segue uma recomendação do Ministério da Saúde e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para reavaliar a estratégia de vacinação após registros de eventos adversos em outras regiões do país.

Segundo o Ministério da Saúde, a decisão foi tomada após o registro de duas mortes suspeitas e 42 casos de reações adversas graves entre cerca de 500 mil pessoas vacinadas até o dia 30 de maio. Os episódios apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave e seguem sob investigação para determinar se há relação com a vacina.

No Tocantins, 12.266 doses já foram aplicadas. De acordo com a SES-TO, os casos de reações registrados no estado foram considerados leves e já estavam previstos no sistema de monitoramento de segurança do imunizante. Todos os registros continuam sendo acompanhados pelas autoridades de saúde.

O médico infectologista Rafael Nogueira explicou que a suspensão faz parte dos procedimentos de farmacovigilância, sistema responsável por monitorar possíveis efeitos adversos após a liberação de vacinas para uso em larga escala.

Segundo o especialista, a interrupção temporária tem o objetivo de esclarecer se os casos investigados possuem ligação direta com o imunizante. Ele destacou ainda que a Butantan-DV representa um avanço para a saúde pública por ser a primeira vacina contra a dengue produzida no Brasil.

Nos estudos clínicos, a vacina apresentou mais de 76% de eficácia na prevenção da doença e proteção total contra mortes relacionadas à dengue, de acordo com o infectologista.

A suspensão vale apenas para a vacina do Instituto Butantan. Outros imunizantes contra a dengue, como a Qdenga, continuam sendo aplicados normalmente nas redes pública e privada.

As autoridades orientam que pessoas vacinadas com a Butantan-DV procurem uma unidade de saúde caso apresentem qualquer sintoma após a aplicação. Reações como dor ou vermelhidão no local da vacina, febre e calafrios são consideradas leves e podem ocorrer como resposta natural do organismo.

O médico também recomenda que toda reação, mesmo as mais simples, seja comunicada à Unidade Básica de Saúde (UBS) para registro e acompanhamento.

Em nota, a SES-TO informou que seguirá acompanhando as orientações do Ministério da Saúde e adotará as medidas que forem definidas pelos órgãos responsáveis. Já o Instituto Butantan afirmou que a suspensão é preventiva e temporária, ressaltando que continuará colaborando com as investigações e fornecendo dados para análise da segurança do imunizante.

A instituição também destacou que estudos publicados em revista científica internacional apontaram eficácia global de 79,6% contra a dengue e 89% contra casos graves da doença. Segundo o instituto, o acompanhamento realizado em municípios que participaram da vacinação em massa não identificou reações adversas relevantes na população.

O Butantan reforçou que seguirá realizando estudos e monitorando os vacinados para que, caso a segurança da vacina seja confirmada, a imunização possa ser retomada futuramente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).