Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 07:25
A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia apresentada pelo Ministério Público estadual (MPSC) contra uma torcedora do Avaí Futebol Clube acusada de racismo e xenofobia durante uma partida da Série B do Campeonato Brasileiro de 2025. Os ataques teriam sido direcionados a atletas do Clube do Remo no confronto disputado em 15 de novembro, no estádio da Ressacada, em Florianópolis.>
Com a decisão, a mulher passa à condição de ré e poderá responder criminalmente por condutas que, segundo o MP, extrapolaram qualquer limite de rivalidade esportiva. A acusação pede pena de reclusão entre dois e cinco anos, além do pagamento de indenização mínima de R$ 30 mil por dano moral coletivo, valor que deverá ser revertido ao Fundo para Reconstituição de Bens Lesados (FRBL).>
De acordo com a 40ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, a torcedora teria utilizado expressões ofensivas relacionadas à cor da pele dos jogadores, caracterizando o crime de racismo. Ainda conforme a denúncia, houve também manifestações que desqualificavam a origem regional da equipe paraense, enquadradas como prática de xenofobia.>
Para o promotor Jádel da Silva Júnior, responsável pelo caso, atitudes desse tipo não podem ser relativizadas como provocação esportiva. Segundo ele, quando há ataque à dignidade humana com base em raça ou origem, o que se estabelece é um discurso de ódio, incompatível com o ambiente esportivo e com a legislação brasileira.>
Investigação e repercussão>
O episódio ganhou repercussão após a circulação de vídeos nas redes sociais, nos quais a torcedora aparece proferindo frases ofensivas contra os atletas do Remo. Em outra gravação, um segundo torcedor também é ouvido dirigindo comentários depreciativos à população da região Norte.>
A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da Delegacia de Repressão ao Racismo e a Delitos de Intolerância (DRRDI), vinculada à DEIC, conduziu as investigações e formalizou o indiciamento da torcedora.>
Avaí e Remo se posicionaram de forma pública contra o ocorrido. O clube catarinense afirmou que o racismo é crime e não deve ser tolerado dentro ou fora dos estádios. Já o Remo classificou o episódio como uma manifestação explícita de preconceito e intolerância, defendendo a responsabilização dos envolvidos. Ambos informaram que estão à disposição das autoridades para colaborar com o andamento do processo.>