Publicado em 7 de abril de 2026 às 23:19
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) divulgou nesta terça-feira (7) a nova atualização do Cadastro de Empregadores que submeteram trabalhadores a condições análogas à escravidão. A chamada “lista suja”, publicada semestralmente nos meses de abril e outubro, recebeu 169 novos nomes, elevando o total para 613 empregadores — um aumento de 6,28% em relação à última atualização.>
Entre os incluídos está o cantor Amado Batista e a montadora chinesa BYD, instalada no complexo fabril de Camaçari (BA), onde opera sua primeira fábrica de automóveis no Brasil. A unidade, inaugurada em outubro de 2025 com investimento de R$ 5,5 bilhões, é voltada à produção de veículos elétricos e híbridos.>
Entre dezembro de 2024 e maio de 2025, a Fiscalização do Trabalho da Superintendência Regional do Trabalho da Bahia (SRTE/BA) realizou diversas diligências em Camaçari, inspecionando obras e alojamentos de trabalhadores migrantes envolvidos na construção da unidade industrial da BYD.>
Em uma ação realizada em 19 de dezembro de 2024, foram identificados 471 trabalhadores chineses trazidos de forma irregular ao Brasil, dos quais 163 foram resgatados em condições análogas à escravidão. Nos meses seguintes, os auditores coletaram depoimentos, analisaram documentos das empresas envolvidas e aprofundaram a investigação.>
A equipe concluiu que a BYD teve responsabilidade direta pela vinda irregular dos trabalhadores ao país e pela manutenção de parte deles em condições de trabalho forçado, jornada exaustiva e situação degradante. Mesmo apresentando contratos com terceirizadas, a montadora exercia, na prática, subordinação direta sobre os trabalhadores — caracterizando vínculo de emprego nos termos do artigo 3º da CLT.>
Os auditores também identificaram indícios de fraude migratória, atribuída à própria empresa, com o objetivo de facilitar a entrada dos estrangeiros sem o devido registro e em desacordo com a legislação brasileira.>
Outro auto de infração de grande relevância aponta que parte dos trabalhadores foi mantida em condições incompatíveis com as normas de proteção ao trabalho, reforçando a caracterização de redução à condição análoga à escravidão.>