Publicado em 17 de junho de 2026 às 10:41
O destino da ex-deputada federal Carla Zambelli ganhou um novo capítulo na Europa. A Corte de Cassação de Roma, que representa o último degrau do poder judiciário na Itália, marcou para o dia 1º de julho o julgamento definitivo sobre a sua extradição para o Brasil. Dessa vez, a análise gira em torno da condenação de 5 anos e 3 meses de reclusão imposta à parlamentar pelos crimes de constrangimento ilegal e porte não autorizado de arma de fogo, decorrentes daquele episódio em que ela correu atrás de um homem no meio da rua às vésperas da votação de 2022.>
A nova avaliação acontece pouquíssimo tempo após uma vitória importante de Zambelli no próprio território italiano. Em maio, o mesmo tribunal de última instância barrou a extradição dela em uma ação diferente, na qual ela havia sido condenada a mais de 10 anos de cadeia pelo envolvimento na invasão hacker das plataformas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Naquela ocasião, os magistrados europeus aceitaram a tese da defesa e entenderam que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, não tinha a neutralidade necessária para conduzir o processo, já que ele próprio figurava como o alvo principal dos ataques virtuais.>
Agora, o cenário jurídico se desenha de forma um pouco mais complexa para a brasileira. Diferente do desfecho do caso dos hackers, a Corte de Apelação de Roma, que funciona como a segunda instância do país, já havia dado sinal verde para que ela fosse mandada de volta ao Brasil para responder pelo episódio da arma. Inconformada com a decisão que permitia o seu envio, a defesa da ex-parlamentar acionou a Suprema Corte na tentativa de conseguir uma nova reviravolta e anular o parecer anterior.>
Se o colegiado de juízes decidir manter a decisão de segundo grau e validar a extradição no dia 1º de julho, a palavra final sairá dos tribunais e passará para a esfera política. O veredito definitivo ficará sob a responsabilidade direta do ministro da Justiça da Itália, Carlo Nordio. Pelas regras locais, assim que a máquina jurídica encerrar totalmente os trabalhos na última instância, o chefe da pasta terá um prazo estipulado de 45 dias para assinar o documento autorizando ou negando de vez o retorno de Zambelli ao território brasileiro.>