Vacina 100% brasileira contra a malária avança e recebe autorização para testes em humanos

Desenvolvido por pesquisadores da UFMG, imunizante será testado em 48 voluntários para avaliar a segurança e a resposta imunológica.

Publicado em 11 de outubro de 2026 às 06:49

Vacina Vivaxin
Vacina Vivaxin Crédito: Divulgação/CT Vacinas

A vacina brasileira Vivaxin, desenvolvida para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em humanos. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde neste sábado (10). O imunizante é resultado de pesquisas do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

A pesquisa busca desenvolver uma alternativa de prevenção contra uma espécie de parasita responsável pela maioria dos casos da doença no Brasil. Para viabilizar os estudos clínicos, o Ministério da Saúde prevê um investimento de R$ 12 milhões, destinado às três fases de testes necessárias para avaliar a segurança e a eficácia da vacina.

Na primeira fase, 48 voluntários com idades entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção anterior por malária, participarão dos testes. Ao longo de 360 dias, a equipe responsável acompanhará os participantes para identificar possíveis efeitos adversos e verificar se a vacina estimula uma resposta imunológica. Os resultados vão ajudar a definir a continuidade dos estudos.

A Vivaxin foi desenvolvida especificamente contra o Plasmodium vivax. Já as duas vacinas contra a malária recomendadas internacionalmente têm como alvo o Plasmodium falciparum, espécie predominante em diversas regiões da África. O desenvolvimento de um imunizante voltado ao P. vivax representa, portanto, uma frente de pesquisa importante para países como o Brasil, onde esse parasita concentra a maior parte das infecções.

Entenda a doença

A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium e transmitida principalmente pela picada de fêmeas infectadas do mosquito Anopheles, conhecido popularmente como mosquito-prego. A doença não passa diretamente de uma pessoa para outra, mas também pode ser transmitida, em situações menos comuns, por meio de sangue contaminado.

Entre os sintomas estão febre, calafrios, tremores, suor intenso, dor de cabeça, cansaço, náuseas e vômitos. Sem diagnóstico e tratamento adequados, a infecção pode evoluir para formas graves e até levar à morte.

No Brasil, a transmissão ocorre principalmente na região amazônica, que abrange Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. O diagnóstico é realizado por exames específicos, e o tratamento é oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Diante de sintomas suspeitos, especialmente após uma viagem ou permanência em áreas de transmissão, a recomendação é procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível. O tratamento precoce reduz o risco de complicações e ajuda a interromper a transmissão.

Até que a Vivaxin conclua as etapas de pesquisa e obtenha as autorizações necessárias para eventual uso, a prevenção continua dependendo de medidas como aplicação de repelente, uso de mosquiteiros, instalação de telas em portas e janelas e utilização de roupas que protejam braços e pernas em áreas de risco.