Publicado em 15 de janeiro de 2026 às 11:24
O combate à dengue no Brasil ganha um novo capítulo a partir do próximo domingo (18), quando Botucatu, no interior de São Paulo, inicia a aplicação da Butantan-DV, vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan. A cidade foi escolhida para abrir a estratégia nacional por integrar um estudo coordenado pelo Ministério da Saúde, que pretende avaliar o impacto da imunização em condições reais de uso.>
A vacina brasileira se destaca por ser a primeira do mundo administrada em dose única com capacidade de proteger contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A autorização para uso teve como base um amplo ensaio clínico de fase 3, acompanhado ao longo de cinco anos, considerado um dos mais robustos já realizados no país nessa área.>
Os resultados apontaram eficácia geral de 74,7%, com proteção ainda maior nos casos mais graves da doença: 91,6% contra quadros severos e 100% de prevenção de hospitalizações entre pessoas de 12 a 59 anos. O estudo envolveu mais de 16 mil voluntários distribuídos em 14 estados brasileiros, e os dados foram divulgados em periódicos científicos internacionais.>
De acordo com os pesquisadores, o imunizante apresentou perfil de segurança favorável tanto em pessoas que já tiveram dengue quanto naquelas sem infecção prévia. As reações mais registradas foram consideradas leves ou moderadas, incluindo dor e vermelhidão no local da aplicação, manchas na pele, dor de cabeça e cansaço. Casos graves associados à vacina foram classificados como raros.>
Paralelamente, o Instituto Butantan segue ampliando as pesquisas para estender a indicação da vacina a outros públicos. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou estudos com pessoas entre 60 e 79 anos, além da coleta de informações que podem viabilizar, futuramente, a inclusão de crianças de 2 a 11 anos.>
Em Botucatu, a vacinação exige a apresentação de documento oficial com foto, CPF e comprovante de residência. A Faculdade de Medicina de Botucatu (FMB/Unesp) atua no monitoramento dos casos de dengue no município, realizando análises laboratoriais que vão alimentar o banco de dados do estudo e ajudar a medir o impacto real da nova vacina na redução da doença.>