Publicado em 13 de julho de 2026 às 12:49
O impacto das publicações de grandes celebridades da internet virou caso de Justiça no interior de São Paulo. Motivada pelo prejuízo financeiro e por danos psicológicos, uma ação de responsabilidade civil foi aberta na 5ª Vara Cível da Comarca de Campinas contra os influenciadores digitais Virginia Fonseca, Carlinhos Maia e Deolane Bezerra. O autor do processo exige uma indenização por danos morais e materiais após acumular um prejuízo que ultrapassa os 100 mil reais.>
O seguidor afirma que só começou a colocar dinheiro na plataforma de jogos de azar porque confiou na palavra dos famosos, que faziam propagandas frequentes prometendo retornos financeiros fáceis e rápidos através das redes sociais.>
A enxurrada de depósitos via Pix começou a comprometer severamente o orçamento do homem em meados de 2023. De acordo com os extratos bancários anexados ao processo, o investidor transferiu mais de 50 mil reais para o sistema de apostas em um intervalo de menos de um mês, entre os dias 19 de maio e 12 de junho daquele ano, mantendo o ritmo de perdas nos meses seguintes.>
Desesperado para tentar cobrir os rombos financeiros e quitar as dívidas acumuladas com a jogatina virtual, o autor da ação precisou recorrer ao refinanciamento de uma propriedade imobiliária pertencente à sua própria família.>
O vício nas apostas eletrônicas também desencadeou uma severa crise de saúde na vida do rapaz, conforme apontam os laudos e prontuários médicos integrados ao processo. Os relatórios de saúde descrevem um quadro agudo de perda de apetite e um impulso incontrolável de jogar que persistia mesmo quando ele manifestava o desejo de parar.>
A situação se agravou ao ponto de o paciente registrar pensamentos frequentes de fuga e ideações de morte, enquanto familiares próximos relataram aos médicos que ele havia perdido totalmente a capacidade de gerenciar o próprio comportamento diante das telas.>
A estratégia jurídica desenhada pelos advogados de acusação se baseia nas diretrizes do Código de Defesa do Consumidor. A defesa sustenta que o trio de influenciadores cometeu publicidade encoberta e enganosa ao criar nos seguidores a ilusão de que a atividade era segura e rentável, gerando responsabilidade solidária pelos prejuízos causados aos usuários.>
Além do ressarcimento em dinheiro, o processo exige que a Justiça obrigue a quebra de sigilo sobre o funcionamento da plataforma de apostas, incluindo o acesso aos algoritmos do sistema e a cópia dos contratos firmados com os artistas. Como a ação está em fase inicial e os réus ainda não foram formalmente citados, o Poder Judiciário reforça que as acusações representam apenas a versão do autor e passarão pelo direito de resposta e ampla defesa.>