Viúva detalha como vício em "bets" levou policial a acumular dívida de quase R$ 1 milhão

Danilo Lopes Negrão pegou empréstimos com bancos, amigos e agiotas para sustentar apostas iniciadas na Copa de 2022.

Publicado em 29 de junho de 2026 às 16:03

Danilo Negrão morreu em 2023. Viúva afirma que policial desenvolveu vício em apostas on-line durante a Copa do Mundo de 2022.
Danilo Negrão morreu em 2023. Viúva afirma que policial desenvolveu vício em apostas on-line durante a Copa do Mundo de 2022. Crédito: Reprodução/Instagram de Raquel Maria

Após a perda do marido, a enfermeira Raquel Maria de Oliveira Negrão revelou a real dimensão do impacto financeiro causado pelo vício do policial militar Danilo Lopes Negrão em apostas esportivas. Segundo o relato, o PM acumulou uma dívida de quase R$ 1 milhão ao longo de menos de um ano, recorrendo a diversas fontes de crédito para alimentar o transtorno que começou em dezembro de 2022.

A profundidade do problema só veio à tona quando Raquel analisou o computador de Danilo após o seu falecimento, ocorrido em setembro de 2023. Ela encontrou uma planilha detalhada contendo os nomes de todas as pessoas e instituições com quem o marido havia pegado dinheiro emprestado. A lista de credores era extensa e variada, incluindo instituições bancárias, amigos próximos e até agiotas.

De acordo com a viúva, Danilo conseguia os empréstimos com facilidade porque gozava de uma reputação de pessoa honesta. "Ele pegava empréstimo com todo mundo que ele podia e as pessoas concordavam porque ninguém imaginava o que ele estava passando", explicou Raquel em entrevista.

Mesmo quase três anos após o início do vício do marido, a família ainda lida com as sequelas financeiras da compulsão. Raquel relatou que, logo após a morte de Danilo, passou a enfrentar o que chamou de "pior inferno de sua vida", com amigos e conhecidos cobrando o pagamento das dívidas deixadas.

Atualmente, o acúmulo de débitos resultou em processos judiciais que impedem a venda da residência da família, localizada em Goiânia. Por conta desses entraves legais, a enfermeira continua morando no imóvel onde a tragédia familiar aconteceu. Diante do cenário, ela decidiu divulgar sua história como um alerta, reforçando que o mercado de apostas, agora regulamentado, oferece ferramentas de autoexclusão de CPF para evitar que outras famílias sejam destruídas pelo vício.

Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.