Vorcaro nega fraude em depoimento à PF e pede arquivamento de investigação

Ex-banqueiro afirmou que não participou de irregularidades na venda de R$ 17,5 bilhões em créditos ao BRB e questionou a necessidade de permanecer preso.

Publicado em 29 de outubro de 2026 às 22:11

Daniel Vorcaro
Daniel Vorcaro Crédito: Banco Master - Divulgação

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, voltou a negar envolvimento em fraudes durante depoimento prestado à Polícia Federal em 15 de outubro. Ele defendeu o arquivamento da investigação sobre a venda de R$ 17,5 bilhões em créditos ao Banco de Brasília (BRB) e afirmou que não houve irregularidade na operação.

“Esse inquérito de fraude do BRB precisa ser arquivado. Não tem nada no processo. Não existe. Não aconteceu a fraude”, declarou Vorcaro. O empresário também questionou a necessidade de permanecer preso e afirmou que eventuais irregularidades cometidas por funcionários da instituição devem ser investigadas.

A versão apresentada pelo ex-banqueiro contrasta com relatório parcial da PF encaminhado ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). O documento aponta a existência de um sistema de gestão fraudulenta no Master, incluindo a comercialização de carteiras de crédito sem lastro adequado como ativos de alta liquidez.

Vorcaro foi indiciado por gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro, organização criminosa e outros crimes. Segundo a Polícia Federal, as penas máximas previstas para os delitos podem somar 41 anos de prisão.

Ele foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, no Aeroporto de Guarulhos (SP), quando tentava embarcar para Dubai. Em março deste ano, voltou a ser detido preventivamente e está custodiado no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.

A defesa também questiona, no STF, a integridade dos dados extraídos do celular do empresário pela Polícia Federal. Os advogados apresentaram uma análise técnica preliminar que aponta possíveis alterações no aparelho após a apreensão. O documento foi elaborado pelo perito Marcos Monteiro, assistente da defesa.