Publicado em 18 de junho de 2026 às 15:29
Novas imagens de câmeras corporais, divulgadas nesta quarta-feira (17), revelam que o policial militar Cauan Alencar Bastos afirmou "eu vou matar ele" segundos antes de disparar contra Igor Eduardo Hyppolito Rodrigues, de 45 anos. O caso ocorreu em 29 de abril, no Jardim Pirituba, Zona Norte de São Paulo, após uma discussão no trânsito. Igor, que trabalhava como eletricista e encanador, sofria de esquizofrenia e fazia uso de medicamentos controlados.>
De acordo com os registros, a vítima desceu de seu carro com uma faca e correu atrás de um motociclista após o desentendimento no semáforo. O motociclista pediu ajuda a uma equipe da PM que estava estacionada em um posto de combustíveis próximo. Ao se aproximar do local, as imagens mostram o cabo Cauan descendo da viatura dizendo: "Eu vou matar ele, eu vou dar tiro".>
Diferente da versão apresentada pelos agentes na delegacia, de que Igor teria avançado contra a equipe, registros de câmeras de segurança indicam que ele foi atingido no momento em que colocava a faca no chão para se render. Ao todo, foram efetuados sete disparos: seis pelo cabo Cauan e um pelo soldado José Otávio Pinheiro. Igor morreu no local após ser atingido por quatro tiros.>
Após a execução, as mesmas câmeras registraram uma mudança de postura do policial. Enquanto Igor recebia massagem cardíaca de outras equipes, o cabo Cauan aparece pedindo que ele sobreviva e chega a se afastar para rezar um "Pai-Nosso" por cerca de 20 segundos. Em áudio enviado à esposa, ele admitiu que a vítima estava "agonizando" e que ele tentaria "salvar a vida dele".>
A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os dois policiais foram afastados do serviço operacional e estão sendo investigados pela Polícia Civil e pela própria corporação. O caso é conduzido pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que utiliza as imagens das câmeras corporais para confrontar a versão de legítima defesa apresentada inicialmente pelos agentes.>
Texto por Suellen Godinho, com supervisão de Adrielle Brito.>