Publicado em 1 de abril de 2026 às 11:28
Mudanças repentinas no comportamento e sinais físicos podem indicar casos de violência e abuso sexual contra crianças e adolescentes. Diante de qualquer suspeita, pais e responsáveis devem agir rapidamente para proteger as vítimas e buscar ajuda.>
Entre os principais indícios estão as alterações de humor como: medo, pânico, isolamento ou até extroversão incomum, além de comportamentos regressivos. Esses sinais costumam surgir de forma inesperada e sem explicação aparente.>
No Pará, dados da Secretaria de Segurança Pública do Pará (Segup), só no ano de 2024, foram registrados 2.162 casos de abuso sexual contra crianças de 0 a 11 anos e 3.036 entre adolescentes de 12 a 17 anos. Já em 2025, os números foram de 2.143 e 3.323 casos, respectivamente, incluindo crimes como estupro, assédio e importunação sexual. Diante deste cenário, o Roma News conversou com a psicóloga Tatiane Moraes, especialista em desenvolvimento infantil, que destacou a importância de um ambiente seguro para que a criança se sinta à vontade para relatar situações de risco.>
Segundo ela, é fundamental ensinar a diferença entre "segredos bons" e "segredos ruins", especialmente quando envolvem medo ou desconforto.>
"A criança deve saber que nunca deve manter segredos que a façam se sentir mal, especialmente se alguém pedir para não contar algo aos pais ou responsáveis", afirma.>
Além dos aspectos emocionais, sinais físicos como hematomas ou indícios de doenças sexualmente transmissíveis também exigem atenção imediata, pois podem estar relacionados a casos de abuso.>
A especialista também orienta sobre a importância de estabelecer limites claros no contato físico. De acordo com ela, práticas como beijo na boca podem gerar confusão na compreensão da criança sobre afeto e limites corporais, sendo recomendada a adoção de formas de carinho adequadas à idade.>
Conforme a especialista, explicar para as crianças que existe a diferença entre toques adequados e inadequados, precisa estar presente nas conversas entre pais e filhos.>
"Os responsáveis devem explicar, de forma simples e clara, que existem toques que são cuidados, como higiene ou atendimento médico, sempre com supervisão, e toques inadequados, que geram desconforto, medo ou confusão. É importante reforçar que nenhum adulto ou criança mais velha tem o direito de tocar suas partes íntimas sem necessidade legítima e consentimento supervisionado", diz Tatiane.>
Ela também reforça a importância sobre a educação referente ao corpo e limites pessoais para as crianças. Segundo ela, é essencial ensinar a criança, desde cedo, sobre seu corpo de forma apropriada à idade, incluindo o nome correto das partes íntimas.>
"Ensinar a criança o que é cada uma das partes do seu corpinho é fundamental e contribui para reduzir tabus, além de facilitar a comunicação caso algo inadequado aconteça. A criança deve compreender que seu corpo lhe pertence e que ela tem o direito de dizer 'não' a qualquer toque que cause desconforto", destaca a psicóloga.>
Além disso, a psicóloga reforça que o diálogo constante entre pais e filhos é uma das principais formas de prevenção. Conversas sobre respeito ao corpo, limites e segurança ajudam crianças e adolescentes a identificar situações inadequadas não tiram a inocência da criança, mas podem ajudar a combater e tirar o poder do abusador.>
Em casos de suspeita ou confirmação de abuso, a orientação é procurar imediatamente uma delegacia para registrar ocorrência e garantir a proteção da vítima.>
COMO E ONDE DENUNCIAR>
Em casos de suspeita de abuso ou violência contra crianças e adolescentes, é fundamental agir rapidamente. A denúncia pode ser feita de diversas formas: Conselho Tutelar do município; Disque 100 (Disque Direitos Humanos); Disque Denúncia local; Delegacias Especializadas ou comuns ou Polícia Militar (190) em casos de risco imediato>
A denúncia é essencial para proteger a vítima e interromper o ciclo de violência.>