Açaí fica mais caro em Belém e acumula alta acima de 25%, aponta Dieese

Reajustes do tipo médio e grosso superam em mais que o dobro a inflação do ano e pressionam o orçamento das famílias paraenses

Publicado em 13 de janeiro de 2026 às 09:42

Açaí fica mais caro em Belém e acumula alta acima de 25%, aponta Dieese
Açaí fica mais caro em Belém e acumula alta acima de 25%, aponta Dieese Crédito: David Alves - Ag. Pará

O preço do litro do açaí consumido pelos paraenses voltou a subir em dezembro de 2025, segundo pesquisas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA). Os levantamentos, realizados em feiras livres, pontos de venda e supermercados de Belém, mostram que os reajustes no último mês do ano variaram entre 2,31% e 3,35%, a depender do tipo do produto e do local de comercialização.

Na comparação mensal, o açaí do tipo médio teve aumento de 2,31% em dezembro, passando de R$ 28,12 em novembro para R$ 28,77. Já o açaí do tipo grosso registrou alta ainda maior, de 3,35%, saindo de R$ 40,30 para R$ 41,65 no mesmo período.

Quando a análise é ampliada para o acumulado do ano, o encarecimento se mostra ainda mais expressivo. Em dezembro de 2024, o litro do açaí médio custava, em média, R$ 22,98. Em janeiro de 2025, o valor já havia subido para R$ 26,02, alcançou R$ 27,53 em setembro, R$ 28,02 em outubro, R$ 28,12 em novembro e chegou a R$ 28,77 em dezembro de 2025. No total, a alta acumulada foi de 25,20% no ano.

Situação semelhante foi observada com o açaí do tipo grosso. O produto era vendido, em média, a R$ 33,41 em dezembro de 2024. Em janeiro de 2025, o preço passou para R$ 35,67, subiu para R$ 38,72 em setembro, R$ 40,03 em outubro, R$ 40,30 em novembro e atingiu R$ 41,65 em dezembro. O reajuste acumulado em 2025 foi de 24,66%.

Os percentuais chamam atenção por superarem amplamente a inflação estimada para o período. Enquanto a inflação acumulada entre janeiro e dezembro de 2025 gira em torno de 4,50%, os preços do açaí — tanto do tipo médio quanto do grosso — avançaram mais de cinco vezes esse índice, reforçando o peso do produto no orçamento das famílias paraenses.

Além das altas médias, o DIEESE/PA destaca a grande variação de preços conforme o tipo do açaí e o local de compra. Na última semana de dezembro de 2025, o litro do açaí médio foi encontrado entre R$ 22,00 e R$ 30,00 nas feiras livres, enquanto nos supermercados os valores oscilaram entre R$ 26,00 e R$ 27,99. Já o açaí grosso apresentou preços ainda mais elevados: de R$ 30,00 a R$ 45,00 nas feiras e de R$ 31,99 a R$ 46,00 nos supermercados.

De acordo com o DIEESE/PA, entre os principais fatores que explicam essa escalada estão a entressafra do fruto, que reduz a oferta de matéria-prima, o aumento dos custos de produção e logística, especialmente transporte, energia e armazenamento, além da demanda aquecida, tanto no mercado interno quanto no externo.

A avaliação do departamento é de que o cenário deve continuar pressionado nos primeiros meses de 2026. A expectativa é de manutenção de preços elevados e possibilidade de novos reajustes no primeiro quadrimestre do ano, o que pode ampliar ainda mais a pressão sobre o orçamento das famílias, em um estado onde o açaí ocupa papel central na alimentação e na cultura alimentar da população.