Publicado em 5 de maio de 2026 às 20:32
O caso da estudante Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos, teve um novo desdobramento com a decisão da Justiça que pronunciou o policial militar Wladson Luan Monteiro Borges. Com isso, ele será levado a julgamento pelo Tribunal do Júri, acusado de feminicídio.>
Em entrevista ao Roma News, o advogado da família da vítima, Dorivaldo Belém, afirmou que a decisão representa a rejeição da tese de disparo acidental apresentada pela defesa. “Ele foi pronunciado e vai a Tribunal do Júri. Isso significa que não foram aceitas as teses dele de dizer que o tiro foi acidental. Tanto a polícia como o Ministério Público, os laudos periciais indicam que ele matou a mulher”, declarou.>
Segundo o advogado, a defesa tentava desclassificar o crime para homicídio culposo, quando não há intenção de matar, o que poderia resultar em pena mais branda, de 1 a 3 anos, e até na liberdade imediata do acusado. No entanto, a Justiça entendeu que há indícios de crime doloso, ou seja, com intenção, e manteve o enquadramento como feminicídio.>
“A Justiça não aceitou isso. O juiz acatou a tese de um homicídio intencional e, portanto, o caso segue para julgamento pelo Tribunal do Júri. Agora vamos aguardar a designação, quando um conselho de sentença, formado por pessoas do povo, vai julgá-lo por feminicídio, cuja pena pode chegar a 40 anos”, acrescentou o advogado.>
A decisão judicial aponta que há provas da materialidade do crime e indícios suficientes de autoria, cabendo ao júri popular analisar as circunstâncias do caso. O magistrado também manteve a prisão preventiva do policial, considerando a gravidade do crime.>
O caso>
Bruna Meireles Corrêa era estudante de Nutrição, natural de Colares, e morava em Belém há cerca de sete anos. O crime ocorreu na noite de 12 de março de 2025, quando ela foi atingida por um tiro na cabeça durante uma discussão dentro do carro do então namorado, na Avenida Pedro Miranda.>
Após o disparo, o próprio policial levou a vítima ao Pronto Socorro Municipal da 14 de Março e alegou que ambos haviam sido vítimas de um assalto. No entanto, a perícia identificou inconsistências na versão, como marcas de tiros de dentro para fora no veículo.>
Diante das evidências, o militar confessou o disparo e foi preso em flagrante ainda no hospital. A prisão foi convertida em preventiva e, posteriormente, mantida pela Justiça, inclusive após uma reprodução simulada dos fatos que reforçou a conclusão de que o tiro não foi acidental.>
O acusado responde por feminicídio e também enfrenta procedimentos administrativos que podem resultar em sua exclusão da Polícia Militar.>