Publicado em 26 de junho de 2024 às 15:04
Uma estudante de 17 anos do Instituto Federal do Pará (IFPA), em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, que acusa de assédio o professor, identificado como Lair Aguiar de Meneses, vai se formar no ensino integrado técnico no curso de informática neste sábado, 14, e não irá para a celebração por conta do abuso que sofrido. O caso aconteceu em dezembro de 2019 durante uma visita técnica da turma que aluna faz parte a Mosqueiro. Atualmente o acusado é diretor geral da unidade.>
Na terça-feira, 10, foi realizado o ensaio da formatura onde uma professora falou que Lair iria realizar um discurso e, em seguida, entregar o diploma. A garota ficou extremamente constrangida e indignada com a situação, assim como a própria mãe, que decidiu que a filha não iria a formatura de maneira alguma, caso o professor que a assediou estivesse lá. 'Eu passei três anos me esforçando muito pra terminar o ensino medo e não poderei aproveitar minha formatura. Eu não tenho estabilidade psicológica para estar presente no mesmo ambiente que ele', assumiu triste a estudante.>
A jovem contou que mesmo após anos, ainda sofre muito com toda situação. 'Estou tentado escolher a palavras corretas para explicar o que aconteceu, pelo fato de não ter acontecido nada com ele. Fiz uma denúncia na ouvidora do Instituto após uma professora ter me aconselhado. Me sinto desanimada e triste ao saber que vou para minha colação e vou dar de cara com ele', afirmou.>
Do mesmo modo, a garota alegou que encaminhou um e-mail para o comitê da formatura pedindo para que o professor não comparecesse, mas recebeu apenas que 'a solicitação foi encaminhada para análise jurídica'.>
Uma professora, que preferiu não se identificar, disse ao Portal Roma News que até tentou conversar com os integrantes do comitê da colação de grau sobre a possibilidade de Lair não participar, devido o desconforto que a aluna tem. 'Me coloquei no papel de mãe quando soube disso. Viramos uma leoa quando o assunto é os nossos filhos. Não temos posicionamento da direção geral ainda. Queremos um retorno', disse.>
Ainda de acordo com a denunciante, na época que o assédio foi revelado, ela chegou a conversar com a coordenação do IFPA e, até mesmo, a psicóloga, porém o retorno só veio após o caso ser noticiado. 'Na época, a coordenação ignorou o fato. Existe processo administrativo que só foi aberto após o caso ser noticiado no final do ano passado. Procurei a psicóloga para conversar sobre o assunto, mas ela não deu encaminhamento', esclareceu.>
A formatura será realizada às 18h no Teatro da Usina da Paz, localizada no bairro do Icuí, em Ananindeua, próxima ao IFPA, e contará com 16 formandos e o seus respectivos convidados>
O boletim de ocorrência foi feito em novembro do ano passado na Delegacia Especializada no Atendimento à Criança e ao Adolescente (Deaca), também em Ananindeua. A estudante contou que demorou para falar sobre o assédio por medo de acusar o professor e ser perseguida e também por temer a reação dos pais.>
RELEMBRE O CASO>
Em entrevista ao Portal Roma News, a mãe da estudante relatou que o professor, que na época era diretor de ensino do IFPA em Ananindeua, teria entrado no quarto da jovem na pousada, onde a turma estava hospedada, e a surpreendido apenas de calça jeans e sutiã.>