Amazon Energy 2026 reforça protagonismo do Pará no futuro energético do Brasil

Evento promovido pela FIEPA reúne lideranças para debater Margem Equatorial, transição energética e desenvolvimento sustentável.

Elias Cavalcante

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Publicado em 1 de julho de 2026 às 19:12

Evento promovido pela FIEPA reúne lideranças para debater Margem Equatorial, transição energética e desenvolvimento sustentável.
Evento promovido pela FIEPA reúne lideranças para debater Margem Equatorial, transição energética e desenvolvimento sustentável. Crédito: Divulgação 

Nesta quarta-feira (1), Belém recebeu o segundo e último dia do Amazon Energy 2026, evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) que reúne empresários, autoridades, especialistas, pesquisadores e investidores para discutir o futuro da energia na Amazônia. A programação destaca temas como a exploração da Margem Equatorial, transição energética, inovação, infraestrutura e fortalecimento da indústria regional, além de ampliar o debate sobre desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental.

Considerado um dos principais encontros do setor energético da região, o Amazon Energy consolida a Amazônia como um território estratégico para o futuro da matriz energética brasileira. Ao longo dos dois dias, os participantes discutem oportunidades de investimentos, segurança energética, integração regional, qualificação profissional e fortalecimento da cadeia produtiva local.

Considerado um dos principais encontros do setor energético da região, o Amazon Energy consolida a Amazônia como um território estratégico para o futuro da matriz energética brasileira.
Considerado um dos principais encontros do setor energético da região, o Amazon Energy consolida a Amazônia como um território estratégico para o futuro da matriz energética brasileira. Crédito: Divulgação 

Para o presidente da FIEPA, Alex Carvalho, o Pará reúne características que o colocam em posição de destaque nesse novo cenário.

"Estamos diante de grandes oportunidades porque, de forma muito pródiga, o estado do Pará, mais uma vez, se coloca como um grande ator, como protagonista de um processo de transição energética. Temos a matriz mais limpa geradora de energia, que é a matriz hídrica, e essa fonte pode se diversificar em outras que também começam a despontar com a potencialidade do Pará. Me refiro aos biocombustíveis, aos aterros sanitários, que podem gerar biometano, e, por óbvio, à Margem Equatorial, que vai gerar um crescimento estrondoso na realidade até então vivida pelo estado do Pará e pelos outros estados da região amazônica."

Segundo Alex Carvalho, o desafio é transformar esse potencial em desenvolvimento econômico, geração de empregos e fortalecimento da indústria, sem abrir mão da responsabilidade ambiental.

"Não dá mais para que a gente se permita o 'sim' ou o 'não', o 'nós contra eles'. Desenvolvimento industrial não é um antagonismo à conservação ambiental ou à dignificação da nossa sociedade. Pelo contrário, somos os principais aliados. Nós temos condições de gerar a nossa própria riqueza e declarar independência financeira, autonomia para ser donos e tomar as regras do nosso destino."

Um dos principais focos do encontro é a Margem Equatorial Brasileira, considerada uma das novas fronteiras da exploração de petróleo e gás no país. O tema esteve presente em diversos painéis que discutiram oportunidades econômicas, infraestrutura, planejamento territorial e o fortalecimento da cadeia de fornecedores para atender às futuras demandas do setor.

O presidente da GASMAR, Allan Kardec, destacou que o Pará ocupa papel central nesse debate e defendeu maior participação das instituições paraenses nas discussões nacionais.

"Nós viemos debater a Margem Equatorial. É um tema central para o Brasil. Espero que haja mais eventos como este, porque é importante que o Estado do Pará participe desse momento histórico. Na nossa opinião, o Pará tem que carregar essa pauta da Margem Equatorial. Ela é constituída por seis estados e cinco bacias, mas o Pará é central pelo protagonismo que tem na nossa região."

Durante a entrevista ao Portal Roma News, Allan Kardec também afirmou que o desenvolvimento econômico e a preservação ambiental devem caminhar juntos.

"A preservação ambiental é uma coisa natural, todos nós fazemos isso. Há uma falsa dicotomia em relação ao petróleo. Há a importância de dar comida para o povo, de trazer desenvolvimento para o Estado do Pará, e isso é central. Esse debate tem que ser tão importante quanto o da preservação. Parece que há essa dicotomia, que é completamente falsa."

Além dos debates sobre petróleo e gás, a programação também aborda energias renováveis, biocombustíveis, minerais estratégicos, descarbonização, digitalização da indústria, inovação aberta e oportunidades para micro e pequenas empresas integrarem a cadeia de fornecedores do setor energético.

O encontro reúne ainda representantes da Petrobras, Sebrae, Governo do Pará, universidades, centros de pesquisa e empresas nacionais e internacionais, fortalecendo o diálogo entre poder público, setor produtivo e comunidade científica.

O encerramento do Amazon Energy 2026 será marcado pela apresentação da Carta de Belém II, documento que reúne as principais propostas debatidas durante o evento e que pretende orientar políticas públicas, ampliar a competitividade da Amazônia e atrair novos investimentos para o desenvolvimento sustentável da região.

Ao comentar a importância do documento, Alex Carvalho afirmou que o compromisso firmado durante o evento vai além das discussões realizadas nos painéis.

"A Carta de Belém, mais do que letra fria no papel, apenas reproduz aquilo que está dentro dos nossos corações e dos nossos pensamentos. Não hesitaremos em fazer reverberar, ecoar, até que tenhamos sucesso. As discussões aqui nos levaram a chegar à Carta de Belém. É um posicionamento firme, responsável e com muito compromisso com o futuro do Estado."

Com uma programação voltada à integração entre setor produtivo, poder público, academia e investidores, o Amazon Energy 2026 reforçou o papel estratégico do Pará na construção do futuro energético do Brasil. Ao reunir debates sobre inovação, sustentabilidade, exploração de recursos naturais e fortalecimento da indústria local, o evento consolida Belém como um dos principais centros de discussão sobre o desenvolvimento econômico da Amazônia.