Apesar da queda de casos no país, municípios do Pará seguem entre os que mais registram HIV e aids

Boletim Epidemiológico divulgado neste ano, com dados de 2020 a 2024, mostra que Belém ocupa a segunda posição entre as capitais brasileiras com maior índice composto.

Publicado em 2 de agosto de 2026 às 11:31

Auto-teste para detecção de Aids.
Auto-teste para detecção de Aids. Crédito: Divulgação

Embora o Brasil tenha registrado redução nas novas infecções por HIV, o Pará continua concentrando alguns dos cenários mais preocupantes do país quando o assunto é HIV e aids. Dados do Boletim Epidemiológico HIV e Aids 2025, divulgado pelo Ministério da Saúde e baseado em informações coletadas entre 2020 e 2024, mostram que municípios paraenses dominam os primeiros lugares do ranking nacional do índice composto, indicador que reúne informações sobre detecção da doença, mortalidade, transmissão vertical e diagnóstico precoce.

Entre as capitais brasileiras, Belém ocupa a segunda colocação nacional, atrás apenas de Porto Alegre. A capital paraense alcançou índice de 6,953, à frente de São Luís (MA) e Manaus (AM). Ainda entre as capitais da Região Norte, Manaus aparece em quarto lugar no ranking nacional, seguida por Boa Vista (7ª), Porto Velho (11ª), Macapá (12ª), Palmas (19ª) e Rio Branco (24ª).

Quando são considerados, em conjunto, os municípios com mais de 100 mil habitantes e as capitais da Região Norte, o Pará concentra os maiores índices da região. Marabá lidera o ranking nortista, com índice de 7,241, seguida por Marituba (7,205), Belém (6,953) e Castanhal (6,904).

O levantamento mostra a predominância do Pará no cenário regional. Das 20 cidades da Região Norte com os maiores índices compostos, 10 são paraenses, incluindo as quatro primeiras colocadas: Marabá, Marituba, Belém e Castanhal. Também figuram na lista Santarém, Bragança, Ananindeua, Paragominas, Parauapebas e Altamira.

Segundo o Ministério da Saúde, o índice composto foi desenvolvido para avaliar a situação da epidemia nas unidades da federação, capitais e municípios com mais de 100 mil habitantes. O cálculo considera indicadores como as taxas de detecção de aids na população em geral e em crianças menores de cinco anos, a mortalidade pela doença e a primeira contagem de CD4, exame que indica o estágio da infecção no momento do diagnóstico. Quanto maior o índice, maiores são os desafios relacionados ao diagnóstico precoce, ao acesso ao tratamento e ao controle da doença.

O próprio boletim destaca que os resultados revelam desigualdades regionais importantes. Estados, capitais e municípios com índices mais elevados tendem a apresentar taxas maiores de detecção da aids, maior ocorrência de casos em crianças menores de cinco anos e índices mais altos de mortalidade, fatores que apontam dificuldades persistentes na oferta de testagem, no diagnóstico em tempo oportuno e na continuidade do cuidado às pessoas vivendo com HIV.

Brasil registra redução nas novas infecções

O cenário observado no Pará contrasta com os dados nacionais mais recentes. De acordo com o Ministério da Saúde, o Brasil registrou uma redução de 28,96% nas novas infecções por HIV em 2025, na comparação com o ano anterior. Todas as unidades da federação apresentaram queda nas notificações, sendo as maiores reduções registradas em Roraima (39%), Acre (38,4%) e Mato Grosso (32,5%).

Apesar desse avanço, o Boletim Epidemiológico mostra que determinadas regiões continuam enfrentando desafios históricos. O Norte segue apresentando as maiores taxas de detecção de HIV do país e concentra cidades que permanecem entre as mais impactadas pela epidemia, caso de Belém, Marabá, Marituba, Castanhal e Santarém, que figuram entre os municípios brasileiros com os índices compostos mais elevados.

Veja a tabela:

Ranking Integrado da Região Norte (Capitais e Municípios > 100k hab.)

  • 1º Marabá (PA): 7,241 %
  • 2º Marituba (PA): 7,205 %
  • 3º Belém (PA): 6,953 %
  • 4º Castanhal (PA): 6,904 %
  • 5º Manaus (AM): 6,762 %
  • 6º Santarém (PA): 6,601 %
  • 7º Boa Vista (RR): 6,406 %
  • 8º Bragança (PA): 6,398 %
  • 9º Ananindeua (PA): 6,311 %
  • 10º Porto Velho (RO): 6,222 %
  • 11º Macapá (AP): 6,144 %
  • 12º Paragominas (PA): 6,049 %
  • 13º Itacoatiara (AM): 5,910 %
  • 14º Araguaína (TO): 5,889 %
  • 15º Palmas (TO): 5,834 %
  • 16º Parauapebas (PA): 5,830 %
  • 17º Parintins (AM): 5,830 %
  • 18º Vilhena (RO): 5,828 %
  • 19º Altamira (PA): 5,797 %
  • 20º Rio Branco (AC): 5,509 %