Após ataque de sucuri, cadela é adotada por militar que a salvou com técnicas de sobrevivência na selva

A preparação de militares para atuar em ambiente de selva é uma premissa daqueles que atuam no Exército Brasileiro e um aprendizado para toda a vida

Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 16:57

Após ataque de sucuri, cadela é adotada por militar que a salvou com técnicas de sobrevivência na selva.
Após ataque de sucuri, cadela é adotada por militar que a salvou com técnicas de sobrevivência na selva. Crédito: Divulgação/CMN

No último domingo (8), a agilidade e habilidade em técnicas de sobrevivência na selva, que o sargento Danton aplicou durante um incidente com uma cobra sucuri, salvou uma cadelinha nas dependências do 53º Batalhão de Infantaria de Selva, em Itaituba, sudoeste do Pará.

O vídeo da atuação dos militares para salvar a cadela, que foi atacada pela cobra e já estava enrolada, viralizou e gerou curiosidade na população. Nas imagens, a cadela aparece enrolada pela cobra, já sem movimentos, quando os militares conseguem reverter a situação, sem causar danos ao animal silvestre.

“Fui acionado devido os gritos da cadela. Ela já não estava dando sinal de vida, estava embaixo d’água, a gente a puxou pelas patas para fora, já era o segundo cachorro que a cobra iria levar e como era meu serviço, fui lá. Na hora que estava desenrolando, vi que tinha sinal de vida, os cabos ficaram na contenção, fiz a massagem cardíaca e ela começou a ter espasmos, abriu os olhos e saiu correndo”, detalha o sargento Danton, que, depois do susto, adotou e deu nome de Mel para a cadelinha.

“Eu raciocinei que não adiantava tirar o cachorro da boca da serpente e deixar na mesma situação de rua. Essa foi a melhor opção, tem espaço na casa, temos outros dois cachorros, falei com a minha esposa, contei a história dela ter voltado da morte e resolvi adotar”, disse ainda o sargento.

O 53° Batalhão de Infantaria de Selva ressaltou, ainda, que os militares atuaram de maneira rápida, precisa e eficiente, adotando medidas imediatas de salvamento da cadela. A ação foi conduzida de forma cautelosa e técnica, sem prejuízo à integridade do animal silvestre.

Considerando a legislação ambiental vigente e as competências legais relativas aos procedimentos a serem adotados — especialmente no que se refere à destinação, manejo, soltura em habitat apropriado ou eventual recolhimento do animal por órgão competente —, o Comando do 53º Batalhão de Infantaria de Selva (53º BIS) solicitou apoio ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para as providências cabíveis.

Capacitação em ofidismo

Os militares que servem no ambiente amazônico possuem o treinamento de ofidismo como capacitação para atuar no ambiente de selva. A preparação faz parte do Estágio de Adaptação à Vida na Selva (EAVS) e do Curso de Operações na Selva (COS) e permite aos combatentes terem o conhecimento sobre serpentes peçonhentas, a identificação dessas serpentes e os primeiros socorros às vítimas, garantindo a segurança dos militares em um ambiente de selva e alto risco.