Após protestos, Câmara de Belém revoga estatutos e devolve direitos dos servidores e do magistério

Medida aprovada por unanimidade restabelece regras antigas e prevê pagamento retroativo do adicional por tempo de serviço.

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 15:10

Após protestos, Câmara de Belém revoga estatutos e devolve direitos dos servidores e do magistério.
Após protestos, Câmara de Belém revoga estatutos e devolve direitos dos servidores e do magistério. Crédito: Reprodução/CMB

Após meses de protestos e cobranças do funcionalismo público, a Câmara Municipal de Belém (CMB) aprovou, por unanimidade, nesta quarta-feira (4), a revogação dos novos Estatutos dos Servidores Municipais e do Magistério. O projeto, enviado pelo prefeito Igor Normando (PSDB), determina o retorno às regras anteriores e restabelece o pagamento do Adicional por Tempo de Serviço (ATS).

Com a decisão, os trabalhadores da Prefeitura voltam a ser regidos pela legislação que vigorava antes das mudanças. Também ficam assegurados a remuneração prevista em lei e o adicional de escolaridade, além da retomada do ATS, benefício vinculado ao tempo de trabalho prestado ao município.

O projeto prevê ainda o pagamento dos valores retroativos do ATS, referentes ao período de janeiro a novembro de 2026, em parcela única na folha de dezembro. A partir desse mês, o adicional também deverá voltar a ser pago mensalmente aos servidores que têm direito ao benefício.

A aprovação encerra, ao menos em relação aos dois estatutos, uma sequência de mobilizações iniciada no começo do ano. A insatisfação surgiu após a implantação do novo Regime Jurídico Único (RJU), instituído pela Lei nº 10.266/2026, e do Estatuto do Magistério, previsto na Lei nº 10.277/2026.

As mudanças levaram servidores da educação e de outros setores municipais a realizar paralisações e manifestações. Organizados por entidades como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Pará (Sintepp), os profissionais passaram a chamar as medidas de "pacote de maldades", alegando que as novas regras prejudicavam direitos e condições de trabalho.

Entre os pontos contestados estavam alterações na lotação dos servidores, na jornada dos professores e na distribuição de funções dentro das escolas. A categoria também criticava a redução do número de profissionais por turma e as mudanças nas matrizes curriculares, incluindo a retirada de disciplinas.

Apesar da revogação, as reivindicações do funcionalismo municipal não se encerram com a votação. A situação dos servidores de outras categorias e a discussão sobre novas regras para as carreiras da Prefeitura continuam entre os pontos de atenção dos trabalhadores.