Publicado em 16 de julho de 2026 às 14:20
Seis anos após a morte da cantora paraense Cleide Moraes, conhecida como a “Rainha da Saudade”, Victor Hugo dos Reis Morais, acusado de provocar o acidente que matou a artista deverá ser levado a júri popular. A decisão foi mantida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que rejeitou o último recurso apresentado pela defesa de Victor Hugo.>
A informação foi confirmada ao Roma News por Brenda Moraes, filha da cantora. Segundo ela, após a decisão do STF, a juíza da Comarca de Benevides deverá definir a data do julgamento.>
“Estamos no aguardo da juíza de Benevides marcar logo esse julgamento”, afirmou.>
Na decisão mais recente, o ministro Gilmar Mendes negou seguimento ao recurso extraordinário da defesa e manteve o entendimento da Justiça do Pará de que o caso deve ser analisado pelo Tribunal do Júri. Victor Hugo responde por homicídio e tentativa de homicídio com dolo eventual, quando o acusado assume o risco de produzir o resultado.>
O ministro entendeu que o pedido da defesa exigiria uma nova análise das provas do processo, o que não é permitido nessa fase processual pelo STF. Com isso, permanece válida a decisão que determina que os jurados decidam sobre a responsabilidade criminal do acusado.>
“A justiça dos homens demorou, mas chegou”>
Brenda Moraes contou que recebeu a notícia da decisão por meio da advogada da família, Maíra Moraes, e descreveu o momento como uma mistura de emoção e alívio após anos de espera.>
“Quando eu recebi a notícia pela nossa advogada Maíra Moraes, a minha reação foi chorar. Depois veio uma sensação de alívio, de saber que agora eu tenho resposta para dar para as pessoas, para os amigos, para a sociedade, para os meus filhos e para a minha família principalmente. E que o mal que ele nos causou, ele vai pagar”, declarou.>
Para a filha da artista, a decisão representa uma vitória construída ao longo de uma trajetória marcada pela dor e pela busca por justiça.>
“É uma sensação de agradecimento a Deus, principalmente, de muita euforia e choro ao mesmo tempo. Agradecimento à nossa advogada, doutora Maíra Moraes, e a todo o Pará que nunca esqueceu da Rainha da Saudade, Cleide Moraes. A justiça dos homens demorou, mas chegou”, afirmou.>
Brenda também revelou que, em diversos momentos, a família chegou a perder a esperança de que o caso fosse julgado.>
“De certa forma não tínhamos mais esperanças. Eu principalmente esmureci várias vezes, porque minha mãe era muito presente nas nossas vidas e na vida de muita gente. Ajudava muita gente, fazia ações sociais e, de certa forma, todos ficamos órfãos”, disse.>
Apesar das dificuldades enfrentadas ao longo dos últimos seis anos, ela afirma que o apoio recebido da população paraense foi fundamental para seguir em frente.>
“Mas em cada abraço que eu recebia e recebo, eu vou me fortalecendo, buscando por justiça. E ela chegou”, completou.>
Relembre o caso>
Cleide Moraes morreu na noite de 26 de julho de 2020, após um grave acidente na rodovia PA-391, que liga Belém a Mosqueiro. A cantora retornava de uma apresentação quando o veículo em que estava foi atingido por um carro conduzido por Victor Hugo dos Reis Morais.>
Reconhecida como uma das maiores intérpretes do brega e do bolero paraense, Cleide era chamada carinhosamente pelo público de “Rainha da Saudade”. Sua morte causou grande comoção no Pará e mobilizou artistas, fãs e autoridades.>
Segundo o Ministério Público, Victor Hugo teria realizado uma ultrapassagem indevida e apresentava sinais de embriaguez no momento do acidente. Além da morte da cantora, outra pessoa ficou ferida.>
Em 2022, o Tribunal de Justiça do Pará decidiu que havia elementos suficientes para que o acusado fosse submetido ao Tribunal do Júri. A defesa recorreu às instâncias superiores, mas os recursos foram rejeitados. Agora, com a decisão do STF, resta apenas a definição da data para que o caso seja julgado pelo júri popular.>