Avenida Liberdade recebe novo aditivo de R$ 47 milhões e custo da obra se aproxima de meio bilhão de reais

Novos aditivos contratuais motivam denúncias sobre superfaturamento e cobrança ao Ministério Público.

Publicado em 7 de novembro de 2026 às 15:03

Avenida Liberdade recebe novo aditivo de R$ 47 milhões e custo da obra se aproxima de meio bilhão de reais
Avenida Liberdade recebe novo aditivo de R$ 47 milhões e custo da obra se aproxima de meio bilhão de reais Crédito: Bruno Cecim/Agência Pará

Um novo aditivo contratual nas obras de reconstrução da Avenida Liberdade elevou o custo total da intervenção para mais de meio bilhão de reais no Pará. Inaugurada em abril deste ano pelo então governador Helder Barbalho (MDB), a via de 14 quilômetros de extensão já registra erosões, crateras e sérios problemas em sua estrutura com apenas seis meses de tráfego liberado.

Os novos valores e o desgaste precoce do asfalto foram denunciados na manhã deste sábado (7) pelo ex-deputado Arnaldo Jordy em suas redes sociais. Em publicação, o político classificou como assustador o montante destinado ao trecho e criticou a concessão sucessiva de acréscimos financeiros.

"A obra, supostamente superfaturada, recebeu um aditivo de 45 milhões de reais e, na semana passada, mais um aditivo de 47 milhões, perfazendo um total de mais de meio bilhão nesta obra de 14 quilômetros, que afundou 6 meses depois da inauguração", afirmou Jordy, sugerindo ainda que os aditivos sejam apurados pelo Ministério Público Estadual.

A execução dos serviços foi arrematada originalmente pelo Consórcio Liberdade composto por um grupo de cinco empresas pelo valor inicial de R$ 410 milhões. Contudo, a planilha orçamentária sofreu sucessivas revisões para cima ao longo da execução do projeto.

O histórico de aditivos inclui:

Janeiro de 2026: concessão do primeiro aditivo no valor de R$ 42,6 milhões;

Marcador 28 de outubro de 2026: autorização de um segundo aditivo no montante de R$ 47 milhões;

Marcador Custo total consolidado: montante que ultrapassa a marca de R$ 500 milhões para os 14 km de via.

Vínculos empresariais e investigações da PGR

A denúncia também trouxe à tona a participação da empresária Andrea Costa Dantas no consórcio construtor. Andrea é esposa do deputado federal Antonio Doido (MDB) e sócia das empreiteiras JAC Engenharia e J.A. Construcons Civil Ltda.

As empresas ligadas ao grupo familiar figuram sob a mira da Procuradoria-Geral da República (PGR) em apurações abertas desde agosto de 2025. O procedimento investiga possíveis irregularidades e direcionamentos em processos licitatórios voltados a obras de infraestrutura para a COP30. Levantamentos apontam que, entre os anos de 2020 e 2024, o Governo do Estado empenhou mais de R$ 1 bilhão em emissões fiscais em favor da J.A. Construcons.