Comerciantes relatam preocupação com prédios antigos após desabamento no Comércio, em Belém

Trabalhadores da área afirmam que imóveis com rachaduras, falta de manutenção e sobrecarga de mercadorias são realidade frequente no centro comercial da capital

Publicado em 6 de julho de 2026 às 09:42

Trabalhadores da área afirmam que imóveis com rachaduras, falta de manutenção e sobrecarga de mercadorias são realidade frequente no centro comercial da capital
Trabalhadores da área afirmam que imóveis com rachaduras, falta de manutenção e sobrecarga de mercadorias são realidade frequente no centro comercial da capital Crédito: Roma News

O desabamento de um prédio na manhã desta segunda-feira (6), no Comércio, em Belém, reacendeu a preocupação de comerciantes que convivem diariamente com imóveis antigos na região. O incidente ocorreu por volta das 6h e, segundo relatos, expôs uma situação que, para muitos trabalhadores, já era motivo de alerta há anos.

A comerciante Elídia Souza afirmou que a presença de prédios históricos com sinais de deterioração faz parte da rotina de quem trabalha no local. Segundo ela, diversos imóveis apresentam rachaduras, problemas estruturais e instalações elétricas irregulares, o que gera insegurança entre lojistas e funcionários.

Ela destacou que possui um imóvel histórico que já passou por vistorias da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros, sendo considerado apto para funcionamento. Apesar disso, ressalta que muitos outros prédios da região apresentam condições preocupantes e precisam de acompanhamento constante.

“É preocupante sim. A gente sabe que o nosso comércio é cheio de prédio danificado, com rachaduras e problemas estruturais. Muitos também recebem grande quantidade de mercadorias, o que aumenta o peso sobre construções antigas”, relatou.

Uma funcionária de uma das lojas atingidas pelo desabamento, que preferiu não se identificar, contou que os riscos envolvendo o imóvel já eram conhecidos por comerciantes da área. Segundo ela, o proprietário da parte superior do prédio vinha sendo alertado há cerca de um ano sobre a possibilidade de queda da estrutura.

De acordo com a trabalhadora, apesar dos avisos, nenhuma intervenção teria sido realizada. Ela afirmou ainda que o imóvel não passava por vistorias há bastante tempo e apresentava sinais evidentes de abandono.

Entre os problemas observados, a funcionária relatou que uma árvore chegou a crescer na parede do andar superior do prédio. Com receio de agravamento da situação, os próprios funcionários das lojas que funcionavam no térreo faziam a poda da vegetação.

A trabalhadora também disse que comerciantes tentaram diversas vezes falar com o proprietário para alertá-lo sobre as condições do imóvel, mas, segundo ela, as preocupações não teriam sido levadas em consideração.

O caso reforça o debate sobre a necessidade de fiscalização e manutenção dos imóveis históricos localizados no centro comercial de Belém, especialmente aqueles utilizados para atividades comerciais e armazenamento de mercadorias.