Publicado em 15 de fevereiro de 2026 às 16:50
Comerciantes e moradores do bairro do Curuçambá, em Ananindeua, vivem uma rotina marcada pelo medo e pela insegurança. Uma trabalhadora, que também mora na área, entrou em contato com a reportagem do Roma News, sob condição de anonimato, para denunciar o avanço do crime organizado na região e o impacto direto na vida de quem depende do comércio para sobreviver.
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Segundo o relato, empreender no bairro se tornou uma atividade de alto risco. Comerciantes estariam sendo pressionados a pagar a chamada “taxa do crime”, que se trata de uma cobrança ilegal, imposta por criminosos. Quem se recusa a pagar é ameaçado e, em alguns casos, executado.>
“Hoje, abrir um pequeno, médio ou até grande empreendimento se tornou um risco. Comerciantes são pressionados a pagar ‘taxas’ impostas pelo crime. Quem se recusa a contribuir é ameaçado e, em muitos casos, morto”, afirmou a moradora.>
O caso mais recente ocorreu neste sábado (14), quando o comerciante Jonatas Pinto Dias, de 31 anos, foi morto a tiros dentro do próprio açougue, localizado na Avenida Rio Baraúna. Ele era proprietário do estabelecimento e trabalhava no local. A suspeita é de que o crime esteja relacionado à recusa em pagar a cobrança criminosa.>
Outro caso que gerou grande repercussão foi o assassinato do barbeiro Arlen Coimbra da Silva de Jesus, de 29 anos, morto com cerca de 10 tiros, dentro da barbearia que mantinha há quatro anos, no dia 5 de fevereiro. A Polícia Civil investiga o crime e não descarta a possibilidade de ligação com a cobrança da chamada “taxa do crime”.>
No dia 27 de janeiro deste ano, um policial da reserva, identificado como Carlos Silva, 41 anos, também foi assassinado dentro da farmácia que possuía no bairro. A Polícia considera que o homicídio pode estar relacionado à mesma prática de extorsão atribuída a uma facção criminosa que atua na área.>
Segundo a moradora, o clima de medo afeta diretamente quem tenta trabalhar de forma honesta. Ela relatou ainda, que chegou a receber ameaças logo após formalizar o registro como Microempreendedora Individual (MEI), mesmo sem possuir ponto comercial físico.>
“Quando formalizei meu MEI para trabalhar, comecei a receber ligações com ameaças logo no primeiro mês. As pessoas do outro lado da linha tinham meu nome, meu endereço e meus dados. Eu sequer possuo ponto físico e ainda assim fui alvo de intimidação”, contou.>
As áreas apontadas como mais críticas incluem o final da linha do bairro, a Rua da Horta, a Marcílio Pinheiro, a avenida Beira Rio e a rua Rio Baraúna, considerada um dos principais polos comerciais da região. Segundo o relato, esses locais concentram grande circulação de trabalhadores e estabelecimentos comerciais, o que aumentaria a pressão por cobranças ilegais.>
Ainda conforme a denúncia, o domínio do crime organizado tem gerado sensação de abandono e vulnerabilidade entre os moradores, que muitas vezes evitam denunciar por medo de represálias.>
“O que vivemos hoje é um ambiente onde empreender honestamente se tornou um ato de coragem”, afirmou a trabalhadora.>
A reportagem solicitou posicionamento da Polícia Civil, da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) sobre as denúncias e os casos citados, e aguarda retorno.>