Construção de prédios da Leal Moreira vai impedir acesso da população à área de Rio, em Belém

A área que poderia virar orla e, inclusive, aumentar o potencial turístico da cidade, vai ficar restrita aos futuros proprietários que adquirirem o empreendimento

Publicado em 8 de agosto de 2026 às 11:54

A área que poderia virar orla e, inclusive, aumentar o potencial turístico da cidade, vai ficar restrita aos futuros proprietários que adquirirem o empreendimento
A área que poderia virar orla e, inclusive, aumentar o potencial turístico da cidade, vai ficar restrita aos futuros proprietários que adquirirem o empreendimento Crédito: Roma News

Ao invés de construir uma orla com avenidas, parques de recreação, espaços verdes e áreas para bicicletas, a Prefeitura de Belém, às escondidas, negociou com a construtora Leal Moreira, a liberação da construção de torres de apartamentos de luxo em uma área ambientalmente preservada às margens da Baía do Guajará.

A área citada fica no fiinal da rua Nelson Ribeiro, no bairro do Umarizal, nas proximidades da avenida Pedro Álvares Cabral. A denúncia foi divulgada em primeira mão pelo Portal Roma News e rapidamente repercutiu nas redes sociais.

Só que o que algumas pessoas não entenderam é que não se trata da construção de uma orla, mas sim da privatização de um espaço que deveria ser construído para melhorar a qualidade de vida da população.

A área que poderia virar orla e, inclusive, aumentar o potencial turístico da cidade, vai ficar restrita aos futuros proprietários que adquirirem o empreendimento.

Já parte da população, que entendeu a gravidade do acordo absurdo, reclama dos impactos que isso vai causar na qualidade de vida de quem mora em Belém, principalmente no que diz respeito ao aumento da temperatura da cidade. Nos comentários, internautas pedem a intervenção do Ministério Público.

Segundo as fontes do Roma News, o empreendimento já estaria até sendo oferecido a potenciais clientes, que caso adquiram, correm o risco de perder os imóveis futuramente.

O caso reacende um debate histórico em Belém: por que uma cidade cercada por rios possui tão poucos espaços públicos de acesso à orla? Urbanistas e especialistas defendem que áreas estratégicas como essa poderiam ser incorporadas ao patrimônio público por meio de desapropriação, permitindo a criação de uma grande orla urbana, com áreas verdes, equipamentos de lazer, ciclovias, espaços para atividades físicas e contemplação da Baía do Guajará.

Além da questão do acesso público, o projeto também levanta questionamentos ambientais. A área já foi alvo de discussões judiciais por estar localizada em uma região sensível do ponto de vista ambiental e próxima a terrenos de Marinha, principalmente por estar situada ao lado de outra construção erguida de forma irregular, o edifício Premium, construído por meio de uma liminar federal que, segundo especialistas, é ilegal e pode ser derrubada pela justiça a qualquer momento.

Especialistas alertam que a ocupação de áreas sujeitas à influência das marés deve obedecer rigorosamente à legislação ambiental e urbanística, respeitando limites de proteção e preservação previstos em lei.

A preocupação de ambientalistas é que o eventual aval da Prefeitura de Belém para a construção do empreendimento da Leal Moreira crie um precedente para novas ocupações privadas ao longo da orla de Belém. O movimento poderia dificultar ainda mais a criação de espaços públicos voltados à população e ampliar um processo histórico de afastamento dos moradores das margens dos rios que cercam a capital.