Corregedoria afasta três membros do Ministério Público do Pará por suspeita de crimes

Decisão atinge dois promotores e um procurador após investigações do Gaeco sobre corrupção e tráfico de influência.

Publicado em 6 de julho de 2026 às 11:33

Corregedoria afasta três membros do Ministério Público do Pará por suspeita de crimes
Corregedoria afasta três membros do Ministério Público do Pará por suspeita de crimes Crédito: Reprodução/MPPA

Uma reviravolta nos bastidores do Poder Judiciário paraense colocou integrantes do próprio sistema de fiscalização da lei sob os holofotes da justiça. A Corregedoria Nacional do Ministério Público determinou a abertura de Processos Administrativos Disciplinares e o afastamento imediato, por 120 dias, de dois promotores e um procurador de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará.

A medida drástica, oficializada na sexta-feira (3), foi tomada após o compartilhamento de provas colhidas pelo Grupo de Atuação Especializada no Combate ao Crime Organizado, o Gaeco, que apontam o suposto envolvimento do trio em uma série de esquemas ilícitos.

O peso das acusações varia de acordo com o papel de cada investigado. No caso dos dois promotores, as apurações apontam para quebras graves de conduta funcional ligadas a crimes complexos como lavagem de dinheiro, corrupção passiva, associação criminosa e advocacia administrativa qualificada, que ocorre quando o servidor público usa seu cargo para defender interesses privados dentro da administração.

Já o procurador de Justiça é investigado por suspeita de tráfico de influência e advocacia administrativa, além de falhas diretas no cumprimento de suas obrigações diárias com a instituição.

De acordo com o órgão nacional, a decisão de tirar os três profissionais de circulação por quatro meses serve para garantir que as investigações corram sem interferências e para proteger a própria reputação e a confiança da sociedade no Ministério Público. A instituição fez questão de ressaltar que o afastamento temporário não é uma condenação antecipada, e que todos os envolvidos terão garantidos os direitos de defesa e de apresentar suas versões ao longo do processo.

Para que a punição preventiva continue valendo, os processos e os afastamentos precisam ser validados pelo Plenário do Conselho Nacional do Ministério Público. Assim que o colegiado der o aval, um conselheiro relator será sorteado para comandar as investigações internas e, ao final, apresentar o relatório que decidirá o futuro definitivo dos três membros do MPPA.