Defensoria cobra explicações da Sesma sobre greve de anestesistas e suspensão de cirurgias em Belém

Órgão deu prazo de cinco dias úteis para a secretaria detalhar débitos, procedimentos cancelados e medidas adotadas para normalizar os atendimentos na rede pública.

Publicado em 17 de junho de 2026 às 16:15

Defensoria cobra explicações da Sesma sobre greve de anestesistas e suspensão de cirurgias em Belém
Defensoria cobra explicações da Sesma sobre greve de anestesistas e suspensão de cirurgias em Belém Crédito: Arquivo/Agência Belém

A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para que a Secretaria Municipal de Saúde de Belém apresente esclarecimentos sobre os impactos da greve dos anestesistas que afeta hospitais da rede municipal e unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).

A paralisação teve início no dia 1º de junho e, segundo a Sociedade de Trabalho dos Anestesiologistas do Pará (Stap), conta com a adesão de cerca de 120 profissionais. O movimento ocorre em razão de atrasos nos pagamentos da categoria.

Com a falta de anestesistas, cirurgias eletivas foram suspensas em hospitais da capital, entre eles o Hospital Ordem Terceira, Hospital Maradei, Beneficência Portuguesa e o Pronto-Socorro Municipal do Guamá.

Em ofício encaminhado à Sesma, o Núcleo de Atendimento Especializado da Criança e do Adolescente (Naeca), da Defensoria Pública, solicitou informações detalhadas sobre os débitos pendentes, a quantidade de procedimentos cancelados e as providências adotadas para regularizar os serviços.

A crise também atinge a rede de urgência e emergência. No Pronto-Socorro Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14 de Março, atrasos em repasses para empresas terceirizadas resultaram na suspensão dos atendimentos de neurocirurgia, traumatologia e ortopedia.

Além disso, há relatos de bloqueio do sistema de emissão de laudos de exames por falta de pagamento. A empresa responsável pelos serviços de diagnóstico por imagem também teria alertado para a possibilidade de desligamento de equipamentos de tomografia, raio-X e eletrocardiograma.

A situação afeta diretamente pacientes que aguardam atendimento especializado. Casos de internações prolongadas e dificuldades para transferência a unidades de referência vêm sendo registrados em meio à redução dos serviços.

Diante das denúncias e do aumento das reclamações, a Defensoria Pública da União (DPU) informou que avalia a adoção de medidas judiciais e administrativas, incluindo ações voltadas à responsabilização de agentes públicos envolvidos na gestão da saúde municipal.