Estiagem severa deixa comunidades do Marajó sem acesso à água potável

Moradores do Alto Rio Anajás, em Anajás, relatam seca de igarapés e necessidade de percorrer longas distâncias para conseguir água.

Publicado em 30 de setembro de 2026 às 12:45

Estiagem severa deixa moradores do Alto Rio Anajás, no Marajó, sem acesso à água potável -
Estiagem severa deixa moradores do Alto Rio Anajás, no Marajó, sem acesso à água potável - Crédito: Divulgação

Moradores de comunidades do Alto Rio Anajás, na zona rural de Anajás, no arquipélago do Marajó, enfrentam dificuldades para ter acesso à água potável durante o período de estiagem. A falta de chuvas e o avanço da seca provocaram a redução do nível de igarapés da região, afetando atividades básicas das famílias.

De acordo com relatos de moradores, os igarapés Peixe-Boi, Ubim e Anajás-Mirim, que normalmente são utilizados para deslocamento e acesso à água, estão com trechos completamente secos. Em alguns pontos, áreas que antes eram percorridas por embarcações agora podem ser atravessadas a pé.

Moradores percorrem longas distâncias

Na comunidade Taboca, localizada no Igarapé Ubim, moradores afirmam que a situação se agravou nas últimas semanas. Poços chegaram a ser cavados na tentativa de encontrar água, mas, segundo os relatos, o líquido encontrado apresenta características que dificultam o consumo e até mesmo o uso para higiene.

Uma das moradoras relatou que algumas famílias precisam percorrer mais de uma hora de motocicleta até encontrar um ponto com água considerada de melhor qualidade. Crianças e idosos estão entre as pessoas afetadas pela dificuldade de abastecimento.

No Igarapé Peixe-Boi, outra família também relatou dificuldades. Segundo a moradora, a água disponível apresenta aspecto inadequado e já teria sido associada a problemas de saúde enfrentados por um dos filhos. A família afirma que continua utilizando o recurso por falta de alternativa.

Município possui plano para períodos de estiagem

A Prefeitura de Anajás possui um Plano de Contingência para Seca e Estiagem 2026, publicado oficialmente em agosto deste ano. O documento estabelece medidas de prevenção, preparação, resposta e recuperação para situações de escassez de água.

Entre as ações previstas estão o monitoramento dos níveis dos rios e das chuvas, identificação de comunidades mais vulneráveis, campanhas sobre o uso racional da água e elaboração de rotas para abastecimento emergencial. O plano também prevê ações de captação e armazenamento de água e articulação com órgãos estaduais, federais e organizações para atendimento às comunidades afetadas.

A reportagem do Notícia Marajó informou que procurou a Prefeitura de Anajás para saber se as medidas previstas no plano estão sendo executadas e se existe atualmente algum programa de abastecimento emergencial para as comunidades afetadas. Até a publicação da matéria, não havia recebido resposta.

Seca também atinge outras áreas do Pará

A situação ocorre em um cenário de agravamento da estiagem no estado. Dados da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) apontaram que, entre julho e agosto de 2026, houve intensificação da seca no Pará e aumento da área afetada pelo fenômeno no estado.

O Cemaden também registrou, em julho, aumento das áreas classificadas com seca severa no país, com agravamento das condições principalmente em unidades de conservação localizadas, entre outros estados, no Pará.

No Pará, a Defesa Civil Estadual chegou a emitir, em agosto, alerta de estiagem com grau de severidade “muito alto”, reforçando o cenário de atenção para os impactos provocados pela redução das chuvas.

Até o momento, os moradores do Alto Rio Anajás relatam não ter recebido assistência específica para enfrentar a falta de água potável. A situação deve ser acompanhada pelas autoridades municipais e pelos órgãos responsáveis pela defesa civil e pelo abastecimento.

Texto por Pedro Moraes.