Estrangeira vive há mais de 60 dias no Aeroporto de Belém após impasse com passaporte

Fatmata Sessai, de 56 anos, dorme no chão do terminal de Val-de-Cans enquanto aguarda uma solução

Publicado em 18 de junho de 2026 às 08:16

Estrangeira vive há mais de 60 dias no Aeroporto de Belém após impasse com passaporte
Estrangeira vive há mais de 60 dias no Aeroporto de Belém após impasse com passaporte Crédito: Redes sociais 

Há cerca de dois meses, a estrangeira Fatmata Sessai, de 56 anos, natural de Serra Leoa, na África Ocidental, vive no Aeroporto Internacional de Val-de-Cans, em Belém. Sem recursos financeiros para custear hospedagem ou adquirir uma nova passagem aérea, ela passou a dormir diariamente no chão do terminal enquanto aguarda uma solução para sua situação.

De acordo com informações da Defensoria Pública da União (DPU), Fatmata havia saído de São Paulo com destino à Colômbia. No entanto, durante uma escala na Venezuela, seu passaporte foi retido para averiguação pelas autoridades locais, impedindo que ela prosseguisse viagem e obrigando seu retorno ao Brasil.

Após retornar ao país, a mulher comprou uma nova passagem aérea, no valor de aproximadamente R$ 1,2 mil. Entretanto, o documento de viagem ainda não havia sido liberado a tempo do embarque, fazendo com que ela perdesse o voo. O passaporte foi devolvido posteriormente pelas autoridades venezuelanas, mas, com o dinheiro já utilizado na compra da passagem, Fatmata ficou sem condições financeiras para seguir viagem.

A rotina da estrangeira tem sido marcada pela vulnerabilidade. Todas as manhãs, ela deixa o aeroporto e segue de ônibus até o centro de Belém, onde consegue tomar café da manhã e almoçar em uma instituição que presta assistência a pessoas em situação de vulnerabilidade social. No fim do dia, retorna ao terminal aeroportuário, onde passa as noites dormindo no chão. A alimentação noturna depende de doações feitas por passageiros e outras pessoas que circulam pelo local.

A situação mobilizou diversos órgãos públicos, entre eles a Defensoria Pública da União (DPU), o Ministério Público Federal (MPF), a Polícia Federal (PF) e a Polícia Civil, que acompanham o caso em busca de uma solução. A DPU atua em casos envolvendo migrantes e pessoas em situação de vulnerabilidade, realizando o encaminhamento para a rede de proteção quando necessário.

A equipe de reportagem do Roma News solicitou posicionamento aos órgãos responsáveis sobre as medidas adotadas no caso de Fatmata Sessai e aguarda retorno.