Ex-PM acusado de feminicídio de Bruna Meireles é julgado em Belém; júri ouve testemunhas

Wladson Luan Monteiro Borges responde pela morte da estudante de Nutrição, de 32 anos, ocorrida em março de 2025. Defesa sustenta que o disparo foi acidental, enquanto a acusação aponta feminicídio.

Publicado em 4 de novembro de 2026 às 10:48

Wladson Luan Monteiro Borges responde pela morte da estudante de Nutrição, de 32 anos, ocorrida em março de 2025. Defesa sustenta que o disparo foi acidental, enquanto a acusação aponta feminicídio.
Wladson Luan Monteiro Borges responde pela morte da estudante de Nutrição, de 32 anos, ocorrida em março de 2025. Defesa sustenta que o disparo foi acidental, enquanto a acusação aponta feminicídio. Crédito: Divulgação 

O julgamento do ex-policial militar Wladson Luan Monteiro Borges, acusado de matar a estudante Bruna Meireles Corrêa, de 32 anos, começou nesta quarta-feira (4), no Tribunal do Júri, em Belém. O réu responde por feminicídio, em um caso que ocorreu em março de 2025 e teve como vítima a jovem, natural do município de Colares, no nordeste paraense.

Durante a sessão, os jurados acompanham os depoimentos das testemunhas de acusação e defesa. Conforme informações repassadas durante o julgamento, a oitiva já havia chegado à quarta testemunha de um total de sete indicadas pela acusação. A defesa também conta com quatro testemunhas.

A acusação sustenta que Wladson cometeu feminicídio. Já a defesa afirma que a morte foi provocada por um disparo acidental e alega possuir elementos para contestar a versão apresentada pelo Ministério Público.

Relembre o caso

O crime aconteceu na noite de 12 de março de 2025, em Belém. Bruna foi atingida por um tiro na cabeça enquanto estava dentro de um carro com Wladson, que, na época, integrava o Batalhão de Rondas Ostensivas Táticas Motorizadas (Rotam), da Polícia Militar.

Após o disparo, o policial levou a jovem ao Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, na travessa 14 de Março, no bairro do Umarizal. Entretanto, Bruna já chegou à unidade de saúde sem vida.

Inicialmente, Wladson teria afirmado que os dois haviam sido vítimas de um assalto. Posteriormente, mudou a versão e admitiu ter efetuado o disparo, mas alegou que o tiro foi acidental e que não tinha intenção de matar a estudante.

As investigações reuniram provas periciais, incluindo exames balísticos, laudo necroscópico, análise genética da arma e reprodução simulada do crime. Segundo informações divulgadas durante a investigação, os laudos apontaram que o disparo ocorreu a curta distância e que a dinâmica apresentada pelo acusado era incompatível com os vestígios encontrados.

Outro elemento da investigação foi a perícia no celular do acusado, que identificou mensagens de conteúdo agressivo e ameaçador enviadas a Bruna nos dias anteriores ao crime. Testemunhas também relataram comportamentos de ciúme, controle e isolamento social durante o relacionamento.

O julgamento foi marcado para os dias 4 e 5 de novembro de 2026, com início previsto para as 8h, em Belém. A decisão de levar o acusado ao Tribunal do Júri foi mantida pelo Tribunal de Justiça do Pará após recurso da defesa.