Exigência de atracação em Outeiro tira cruzeiros da rota de Belém após a COP30

O impacto já começou a aparecer: um navio que faria escala em Belém em fevereiro cancelou a parada e seguiu para Fortaleza

Publicado em 10 de março de 2026 às 17:59

O impacto já começou a aparecer: um navio que faria escala em Belém em fevereiro cancelou a parada e seguiu para Fortaleza
O impacto já começou a aparecer: um navio que faria escala em Belém em fevereiro cancelou a parada e seguiu para Fortaleza Crédito: Agência Pará

Apresentado como um dos principais legados da COP30 para Belém, o Terminal Portuário de Outeiro corre o risco de se tornar um obstáculo para o turismo de cruzeiros na capital paraense.

Após a conferência climática, realizada em novembro, ainda não há um planejamento estruturado dos governos municipal, estadual e federal para integrar o terminal às rotas internacionais de forma permanente. Ao mesmo tempo, uma medida da Companhia Docas do Pará (CDP) pode agravar o cenário: a intenção de exigir que todos os navios de cruzeiro atracem exclusivamente em Outeiro.

A decisão afeta diretamente o planejamento das companhias marítimas, que definem rotas e custos operacionais com até dois anos de antecedência. A mudança impõe novas despesas logísticas e portuárias que não estavam previstas nos contratos firmados anteriormente.

De acordo com a coluna Olavo Dutra, o impacto já começou a aparecer. Um navio que faria escala em Belém em fevereiro cancelou a parada e seguiu para Fortaleza após não conseguir autorização para fundear em Icoaraci, como estava programado. Situação semelhante ocorreu com o cruzeiro MS Splendours, que alterou o roteiro e também deixou de passar pela capital paraense.

Com os cancelamentos, operadores turísticos locais estimam prejuízos superiores a R$ 200 mil, além da perda de mais de 650 passeios que já haviam sido vendidos para passageiros. Guias de turismo, empresas de transporte e outros serviços ligados ao setor também foram afetados.

O Terminal de Outeiro foi reativado com cerca de R$ 233 milhões em investimentos federais, viabilizados pela Itaipu Binacional, e modernizado para receber dois navios que funcionaram como hotéis flutuantes durante a COP30, acrescentando cerca de 6 mil leitos à rede de hospedagem de Belém.

Sem uma estratégia clara para o período pós-evento e diálogo com o mercado de cruzeiros, o equipamento que foi apresentado como vitrine logística da cidade agora pode acabar afastando embarcações internacionais que antes incluíam Belém em seus roteiros.