Publicado em 10 de outubro de 2026 às 07:07
O Hospital Pio XII, em Belém, cobra uma solução da Prefeitura para evitar que a crise financeira e contratual comprometa ainda mais o atendimento pediátrico pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em carta aberta publicada nas redes sociais, a instituição informa que os pagamentos pendentes chegaram a R$ 1,8 milhão em junho de 2026 e denuncia que segue prestando serviços sem contrato vigente desde 2022. A unidade pede que a gestão municipal regularize os repasses e avance na contratação para garantir a continuidade da assistência.>
A situação mostra o impasse que, segundo o próprio hospital, se arrasta há anos. O contrato firmado com a Prefeitura de Belém em 2016 venceu em 2022 e não foi substituído por um novo chamamento público. A falta de regularização, afirma o Pio XII, limita o acesso a crédito e a recursos complementares, enquanto as despesas necessárias para manter o atendimento continuam.>
A cobrança ganha peso diante do papel da unidade na rede de saúde da capital. Com quase 54 anos de história, o hospital afirma ser a única unidade pediátrica de Belém com atendimento de urgência pelo SUS durante 24 horas. A instituição informa que dispõe de 70 leitos de internação pediátrica, mas já precisou reduzir sua capacidade em meio às dificuldades financeiras.>
A redução representa 50 leitos a menos para internação pediátrica, diminuindo a capacidade de atendimento do hospital em meio à crise financeira. O número exato de crianças que poderão ficar sem atendimento não foi informado pela instituição, mas a restrição reduz a oferta de vagas para pacientes que dependem do SUS em Belém.>
Prefeitura prometeu chamamento, mas procedimento não saiu>
Na carta aberta, o hospital afirma que, desde 2025, acumulou mais de R$ 1 milhão em pagamentos pendentes, valores que, segundo a instituição, foram reconhecidos pela própria administração municipal. Em junho de 2026, o total teria chegado a aproximadamente R$ 1,8 milhão.>
O documento também relata que, em julho, a Prefeitura se comprometeu perante o Ministério Público a abrir um chamamento público em até 30 dias. O prazo apontava para agosto, mas, segundo o Pio XII, o procedimento ainda não havia sido realizado quando a carta foi publicada.>
O hospital afirma que confiou no compromisso e regularizou pendências tributárias. Mesmo assim, diz continuar sem uma solução para o contrato e para os pagamentos. A instituição pede diálogo para renegociar as condições da assistência prestada ao SUS e estabelecer segurança contratual, remuneração adequada e repasses regulares.>
A demora tem consequências concretas. Segundo as informações divulgadas pelo hospital, em maio deste ano a unidade já havia reduzido sua capacidade de atendimento. Informações publicadas anteriormente apontaram que o número de leitos pediátricos caiu de 70 para 20, em uma medida adotada para manter a operação dentro dos limites considerados seguros.>
A instituição também chama atenção para o valor destinado às despesas de acompanhantes de pacientes. Conforme a carta, o hospital recebe R$ 8 por dia para cobrir alimentação, roupa de cama, banho, água e energia de cada acompanhante. O dado ajuda a dimensionar as condições financeiras relatadas pela unidade, que cobra uma revisão dos valores e regularidade nos pagamentos.>
Famílias fazem apelo para evitar que crianças percam atendimento>
Enquanto cobra uma resposta da Prefeitura, o hospital recebe manifestações de apoio de pessoas que relatam a importância da unidade para suas famílias. Nas redes sociais, uma mãe publicou um depoimento sobre os atendimentos recebidos pelos três filhos e pediu que o Hospital Pio XII não feche.>
Segundo o relato, foi na unidade que a família descobriu que o filho mais velho, hoje com 18 anos, tinha doença celíaca e alergia ao glúten. Outro filho, de 12 anos, recebeu diagnóstico de intolerância à lactose após atendimento no hospital. Já o caçula, de seis anos, tem asma e precisou ser internado várias vezes.>
A mãe também contou que o menino mais novo passou mais de uma semana com fortes dores abdominais. Durante o atendimento, a médica identificou uma inflamação no apêndice e encaminhou a criança ao Pronto-Socorro da 14 de Março, onde ele foi operado na manhã seguinte. Para ela, a experiência reforça a importância de manter o serviço disponível para outras famílias.>
Outro apelo divulgado nas redes sociais destaca os quase 54 anos de atuação do hospital e pede que a população compartilhe a situação para ampliar a mobilização. A preocupação é que novas restrições comprometam o acesso das crianças a um serviço especializado de urgência e emergência pelo SUS.>
A principal cobrança do Hospital Pio XII é pela regularização dos pagamentos e pela realização do chamamento público. Sem uma solução, a instituição alerta para o risco de continuidade de um serviço essencial para crianças e famílias de Belém.>
O Roma News solicitou posicionamento à Prefeitura de Belém e à Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) sobre os pagamentos pendentes, a regularização do contrato com o Hospital Pio XII e a realização do chamamento público anunciado para agosto. A reportagem aguarda retorno.>