Publicado em 4 de agosto de 2026 às 09:17
Após enfrentar dificuldades no interior do Amazonas, o indígena Janilson Silva dos Anjos, de 29 anos, conquistou o primeiro lugar no curso de Medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), campus de Altamira, e transformou a própria história.>
Integrante da etnia Sateré-Mawé e natural de Boa Vista do Ramos (AM), ele ganhou destaque nas redes sociais ao compartilhar a rotina como universitário e a trajetória de superação que o levou até a universidade. O estudante conta que caminhava cerca de 8km por dia para chegar à escola e enfrentou dificuldades financeiras durante anos antes de conquistar a vaga.
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Janilson nasceu na comunidade Aninga, zona rural de Boa Vista do Ramos, no interior do Amazonas, onde cresceu em uma região com acesso limitado à educação e aos serviços públicos. A caminhada diária até a escola fazia parte da rotina desde a infância. Em diversos momentos, ele precisou da ajuda de professores para conseguir cadernos, lápis e outros materiais escolares.>
"Eu pagava meu caderno escolar com banana. Hoje eu estudo Medicina na Universidade Federal do Pará. Na comunidade, o caderno só era comprado quando a minha família conseguia vender farinha, banana e açaí. Mas teve ano em que fui para a escola sem caderno", afirma o estudante em um vídeo publicado nas redes sociais.>
Filho de agricultores, Janilson conciliava os estudos com o trabalho ao lado da família na produção e venda de banana, farinha e peixe. A renda obtida ajudava a custear parte das despesas escolares.>
O interesse pela Medicina surgiu a partir das dificuldades enfrentadas pela própria comunidade. Janilson relata que conviveu com casos frequentes de malária e dengue e perdeu um irmão em decorrência da malária. A falta de atendimento médico nas regiões mais isoladas da Amazônia foi decisiva para a escolha da profissão.>
Já no ensino médio, a família se mudou para a sede de Boa Vista do Ramos. Mesmo assim, as dificuldades continuaram. Sem condições de pagar um cursinho preparatório e sem acesso à internet em casa, ele estudava sozinho durante a madrugada, utilizando materiais emprestados e doados.>
A aprovação veio após seis anos de tentativas. O estudante chegou a acreditar que havia sido reprovado ao consultar a lista geral de aprovados. A confirmação só aconteceu durante a transmissão oficial da UFPA, quando ouviu o próprio nome ser anunciado em primeiro lugar no processo seletivo especial destinado a candidatos indígenas.>
Para iniciar a graduação, Janilson precisou se mudar para Altamira, no sudoeste do Pará. Um imprevisto familiar comprometeu parte do dinheiro reservado para a viagem, e ele contou com o apoio de amigos e de pessoas que acompanharam sua história pelas redes sociais para conseguir chegar à cidade.>
Atualmente, Janilson cursa o segundo ano de Medicina e mora em Altamira com a mãe, que faz tratamento de saúde. Além da rotina intensa na universidade, ele divide o tempo entre os estudos, os cuidados com a mãe e as tarefas da casa.>
Nas redes sociais, onde reúne mais de 260 mil seguidores, o universitário compartilha o cotidiano na faculdade e os desafios enfrentados por um estudante indígena que saiu do interior da Amazônia para realizar o sonho de ser médico.>
Janilson afirma que pretende atuar em comunidades indígenas, ribeirinhas e em localidades de difícil acesso. Segundo ele, o objetivo é ampliar o acesso à saúde e mostrar que a educação pode transformar vidas.>