Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 09:08
A decisão da direção nacional do Partido Renovação Democrática (PRD) de intervir no diretório do município de Parauapebas, sudeste paraense, desencadeou uma crise que saiu rapidamente dos bastidores e atingiu o centro do poder municipal. Na ocasião, foi afastado o vice-prefeito Chico das Cortinas do cargo de presidente local da sigla e abriu um confronto direto com o prefeito Aurélio Goiano (Avante).>
A mudança foi oficializada por nota divulgada na última quinta-feira (22), quando a Executiva Municipal foi substituída e o comando do partido na cidade foi passado para o vereador Anderson Moratório (PRD). O documento foi assinado pelo presidente nacional da legenda e pelo secretário-geral Kassyo Ramos.>
CRISE FORMADA>
Apesar de a intervenção ter sido o estopim visível da crise, interlocutores ligados aos dois grupos políticos apontam que o desgaste já antigo. Conforme relatos, o foco da tensão sempre esteve na relação entre o atual prefeito do município e Kassyo Ramos, integrante da cúpula nacional do PRD, em meio a cobranças sobre compromissos firmados ainda durante a campanha.>
Com isso, a saída de Chico das Cortinas da Presidência do Partido na cidade é tratada internamente como desdobramento de um embate maior. Após a decisão, o vice-prefeito buscou explicações junto à direção nacional, tonando o impasse público.>
O conflito cresceu após áudios e vídeos começarem a circular nas redes sociais. O conteúdo, marcado por acusações pessoais e menções à vida privada, intensificou a crise para além da esfera política.>
CAMPANHA DE MILHÕES>
O ponto mais sensível da disputa pública envolve cerca de R$ 1 milhão destinados à campanha eleitoral. Em uma das declarações divulgadas, Aurélio Goiano afirmou que o valor foi enviado pelo PRD nacional e distribuído entre a chapa majoritária e candidatos a vereador, destacando que os repasses estariam devidamente registrados na prestação de contas eleitoral. Ele também negou que o apoio tenha envolvido negociação de cargos na administração.>
Kassio Ramos apresentou uma versão diferente. Em manifestações que circularam online, o dirigente sustentou que a liberação do recurso partiu de decisão interna sob sua condução e afirmou que o repasse estaria associado a expectativas de espaço político na gestão municipal.>
O prefeito rebateu as alegações, afirmando que a aplicação do dinheiro seguiu os trâmites legais e que não houve acordo fora dos parâmetros institucionais.>
REPERCUSSÃO>
O episódio intensifica a instabilidade política em Parauapebas, município com forte peso econômico no Pará. A crise sinaliza que o controle das estruturas partidárias e a definição de alianças tendem a ganhar protagonismo na reorganização das forças locais, com reflexos já No cenário eleitoral de 2026.>