Inverno Amazônico: veja os pontos críticos e como se proteger durante o período chuvoso em Belém

Avenidas de grande fluxo e bairros periféricos concentram os maiores registros de alagamentos. A Defesa Civil orienta a população a redobrar a atenção.

Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 11:00

Belém enfrenta alagamentos durante o inverno amazônico - 
Belém enfrenta alagamentos durante o inverno amazônico -  Crédito: Danielle Zuquim/Roma News

Devido à intensificação das chuvas do inverno amazônico, que segue até o mês de maio, moradores e motoristas da capital paraense, Belém, voltam a enfrentar um problema histórico: ruas alagadas, veículos enguiçados e imóveis invadidos pela água. A combinação entre chuvas intensas, maré alta e limitações na rede de drenagem de alguns locais transforma diversos pontos da capital em áreas de risco temporário.

Conforme monitoramentos meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os primeiros meses do ano concentram os maiores volumes de chuva na região Norte do país, o que aumenta o risco de alagamentos urbanos, especialmente em cidades com áreas de baixada, como Belém.

Pontos críticos de alagamentos em Belém - 
Pontos críticos de alagamentos em Belém -  Crédito: Reprodução/Defesa Civil de Belém

PONTOS MAIS CRÍTICOS DE ALAGAMENTOS

Provocado pela Comissão de Defesa Civil de Belém, o Serviço Geológico do Brasil – CPRM realizou, pela primeira vez, em 2021, o levantamento de áreas que possuem alto ou muito alto risco geológico em Belém, distritos e ilhas. Ao todo, foram identificadas 32 áreas de risco alto e 93 de risco muito alto. O estudo gerou um mapa entregue pelo Serviço Geológico Nacional à Prefeitura de Belém, no dia 8 de dezembro de 2021.

Os distritos de Mosqueiro e Outeiro foram os primeiros a receberem as equipes do serviço nacional e da prefeitura municipal. Em Mosqueiro foram identificados 13 pontos com risco de erosão e deslizamento de encosta, localizados nas praias do Ariramba, Baía do Sol, Bispo, Farol, Murubira, Paraíso e Praia Grande. Em Outeiro foi identificado alto risco de inundação na Comunidade Fé em Deus II, no bairro São João do Outeiro, e muito alto risco de erosão e deslizamento na avenida Beira Mar e na praia Belo Paraíso, no bairro Fama.

Das 125 áreas classificadas como de risco em toda Belém, 76 correspondem a áreas com risco à inundação e alagamentos e 49 a áreas de risco à erosão costeira.

De 2025 a 2026, conforme registros recorrentes da população por meio das redes sociais, os trechos abaixo estão entre os que mais apresentam acúmulo de água:

- Avenida Duque de Caxias (Pedreira/Fátima): cruzamentos costumam ficar parcialmente submersos após chuvas intensas;

- Avenida João Paulo II (Curió-Utinga): devido o acúmulo rápido de água compromete o tráfego de ônibus e veículos leves;

- Avenida Almirante Barroso (São Brás/Marco): principal corredor viário de entrada e saída da cidade registra bolsões de água e lentidão, principalmente no trecho após a Avenida Tavares Bastos, no Entroncamento;

- Avenida Bernardo Sayão (Guamá/Condor): com a proximidade de canais e áreas ribeirinhas contribui para o transbordamento.

Previsão é de chuva para Belém nesta terça-feira.
Previsão é de chuva para Belém nesta terça-feira. Crédito: Bruno Cecim/Ag. Pará

BAIRROS QUE MAIS APRESENTARAM QUEIXAS DE ALAGAMENTOS

De acordo com informações de moradores, comerciantes e motoristas, alguns bairros possuem uma maior concentração de pontos de alagamentos na capital. São eles:

- Pedreira;

- Terra Firme;

- Guamá;

- Cremação;

- Condor;

- Marco.

A informação confirmada por moradores apontam ainda que, em episódios mais intensos, a água ultrapassa calçadas e invade residências, principalmente em ruas com menor altitude como a Avenida Pedro Àlvares Cabral, entre o COMARA e a entrada da Avenida Rodolfo Chermont, no bairro da Marambaia. E alguns pontos na Avenida Visconde de Souza Franco (Doca), Marechal Hermes e Boulevard Castilho França, principalmente quando ocorrem o fenômeno da maré alta.

"A chuva chega a gente começa a subir os nossos eletrodomésticos, que são os mais caros dentro de casa e se perder, pra comprar outro fica difícil", relata a dona de casa Arminda da Silva, de 60 anos, moradora do bairro da Pedreira.

Maré alta
Maré alta Crédito: João Gomes/Arquivo/Agência Belém

POR QUE BELÉM ALAGA?

Conforme especialistas e estudos realizados pela Universidade Federal do Pará (UFPA), alguns fatores estruturais e geográficos influenciam no índice de alagamentos na cidade, como o alto volume de chuvas concentradas, que conforme o regime climático amazônico, favorece precipitações fortes em curtos períodos de tempo.

Além disso, a influência da maré também é destaque pois, Belém está às margens da Baía do Guajará, é uma cidade amazônica à beira de um rio e, por isso, tem grande parte do território constituído de planícies de inundação e durante a maré alta, o escoamento da água da chuva é dificultado, provocando retenção nas galerias pluviais, conforme destacou, em 2024, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Pará (CAU/PA).

Outro fator é o sistema de drenagem sobrecarregado da capital paraense. Parte da rede é antiga e não acompanha o crescimento urbano da capital.

Tem também a obstrução de bueiros e descarte irregular de lixo em canais que reduzem a vazão da água.

Chuvas aumentam risco de gripe no Pará e vacinação contra Influenza segue com baixa adesão
Chuvas aumentam risco de gripe no Pará e vacinação contra Influenza segue com baixa adesão Crédito: Bruno Cecim / Ag. Pará

COMO AGIR EM CASO DE ALAGAMENTO

MOTORISTAS:

- Evite atravessar vias com lâmina d’água acima da metade da roda;

- Não acelere dentro da água para evitar entrada no motor;

- Se o veículo apagar, não tente dar partida novamente.

MORADORES:

- Eleve móveis e eletrodomésticos;

- Desligue a energia elétrica ao perceber entrada de água;

- Evite contato direto com água de enchente, que pode estar contaminada.

CANAIS DE ATENDIMENTO

- Defesa Civil: 199;

- Corpo de Bombeiros Militar do Pará: 193;

- Central de Atendimento da Prefeitura de Belém: 156

Solicitações de limpeza de bueiros e drenagem também podem ser feitas pelos canais oficiais do município.

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Calor intenso domina Belém e chuvas devem marcar o Natal Crédito: Arquivo / Ag. Pará

INVERNO AMAZÔNICO

O inverno amazônico ocorre entre os meses de dezembro e maio, sendo marcado por altos índices pluviométricos, chuvas intensas e frequentes, alta umidade e temperaturas amenas. Este é o período mais chuvoso do ano, mais concentrado entre janeiro e abril, quando as chuvas podem ocorrer a qualquer hora.