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Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 11:00
Devido à intensificação das chuvas do inverno amazônico, que segue até o mês de maio, moradores e motoristas da capital paraense, Belém, voltam a enfrentar um problema histórico: ruas alagadas, veículos enguiçados e imóveis invadidos pela água. A combinação entre chuvas intensas, maré alta e limitações na rede de drenagem de alguns locais transforma diversos pontos da capital em áreas de risco temporário.>
Conforme monitoramentos meteorológicos do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os primeiros meses do ano concentram os maiores volumes de chuva na região Norte do país, o que aumenta o risco de alagamentos urbanos, especialmente em cidades com áreas de baixada, como Belém.>
PONTOS MAIS CRÍTICOS DE ALAGAMENTOS>
Provocado pela Comissão de Defesa Civil de Belém, o Serviço Geológico do Brasil – CPRM realizou, pela primeira vez, em 2021, o levantamento de áreas que possuem alto ou muito alto risco geológico em Belém, distritos e ilhas. Ao todo, foram identificadas 32 áreas de risco alto e 93 de risco muito alto. O estudo gerou um mapa entregue pelo Serviço Geológico Nacional à Prefeitura de Belém, no dia 8 de dezembro de 2021.>
Os distritos de Mosqueiro e Outeiro foram os primeiros a receberem as equipes do serviço nacional e da prefeitura municipal. Em Mosqueiro foram identificados 13 pontos com risco de erosão e deslizamento de encosta, localizados nas praias do Ariramba, Baía do Sol, Bispo, Farol, Murubira, Paraíso e Praia Grande. Em Outeiro foi identificado alto risco de inundação na Comunidade Fé em Deus II, no bairro São João do Outeiro, e muito alto risco de erosão e deslizamento na avenida Beira Mar e na praia Belo Paraíso, no bairro Fama.>
Das 125 áreas classificadas como de risco em toda Belém, 76 correspondem a áreas com risco à inundação e alagamentos e 49 a áreas de risco à erosão costeira.>
De 2025 a 2026, conforme registros recorrentes da população por meio das redes sociais, os trechos abaixo estão entre os que mais apresentam acúmulo de água:>
- Avenida Duque de Caxias (Pedreira/Fátima): cruzamentos costumam ficar parcialmente submersos após chuvas intensas;>
- Avenida João Paulo II (Curió-Utinga): devido o acúmulo rápido de água compromete o tráfego de ônibus e veículos leves;>
- Avenida Almirante Barroso (São Brás/Marco): principal corredor viário de entrada e saída da cidade registra bolsões de água e lentidão, principalmente no trecho após a Avenida Tavares Bastos, no Entroncamento;>
- Avenida Bernardo Sayão (Guamá/Condor): com a proximidade de canais e áreas ribeirinhas contribui para o transbordamento.>
BAIRROS QUE MAIS APRESENTARAM QUEIXAS DE ALAGAMENTOS>
De acordo com informações de moradores, comerciantes e motoristas, alguns bairros possuem uma maior concentração de pontos de alagamentos na capital. São eles:>
- Pedreira;>
- Terra Firme;>
- Guamá;>
- Cremação;>
- Condor;>
- Marco.>
A informação confirmada por moradores apontam ainda que, em episódios mais intensos, a água ultrapassa calçadas e invade residências, principalmente em ruas com menor altitude como a Avenida Pedro Àlvares Cabral, entre o COMARA e a entrada da Avenida Rodolfo Chermont, no bairro da Marambaia. E alguns pontos na Avenida Visconde de Souza Franco (Doca), Marechal Hermes e Boulevard Castilho França, principalmente quando ocorrem o fenômeno da maré alta.>
"A chuva chega a gente começa a subir os nossos eletrodomésticos, que são os mais caros dentro de casa e se perder, pra comprar outro fica difícil", relata a dona de casa Arminda da Silva, de 60 anos, moradora do bairro da Pedreira.>
POR QUE BELÉM ALAGA?>
Conforme especialistas e estudos realizados pela Universidade Federal do Pará (UFPA), alguns fatores estruturais e geográficos influenciam no índice de alagamentos na cidade, como o alto volume de chuvas concentradas, que conforme o regime climático amazônico, favorece precipitações fortes em curtos períodos de tempo.>
Além disso, a influência da maré também é destaque pois, Belém está às margens da Baía do Guajará, é uma cidade amazônica à beira de um rio e, por isso, tem grande parte do território constituído de planícies de inundação e durante a maré alta, o escoamento da água da chuva é dificultado, provocando retenção nas galerias pluviais, conforme destacou, em 2024, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Pará (CAU/PA).>
Outro fator é o sistema de drenagem sobrecarregado da capital paraense. Parte da rede é antiga e não acompanha o crescimento urbano da capital.>
Tem também a obstrução de bueiros e descarte irregular de lixo em canais que reduzem a vazão da água.>
COMO AGIR EM CASO DE ALAGAMENTO>
MOTORISTAS:>
- Evite atravessar vias com lâmina d’água acima da metade da roda;>
- Não acelere dentro da água para evitar entrada no motor;>
- Se o veículo apagar, não tente dar partida novamente.>
MORADORES:>
- Eleve móveis e eletrodomésticos;>
- Desligue a energia elétrica ao perceber entrada de água;>
- Evite contato direto com água de enchente, que pode estar contaminada.>
CANAIS DE ATENDIMENTO>
- Defesa Civil: 199;>
- Corpo de Bombeiros Militar do Pará: 193;>
- Central de Atendimento da Prefeitura de Belém: 156>
Solicitações de limpeza de bueiros e drenagem também podem ser feitas pelos canais oficiais do município.>
INVERNO AMAZÔNICO>
O inverno amazônico ocorre entre os meses de dezembro e maio, sendo marcado por altos índices pluviométricos, chuvas intensas e frequentes, alta umidade e temperaturas amenas. Este é o período mais chuvoso do ano, mais concentrado entre janeiro e abril, quando as chuvas podem ocorrer a qualquer hora.>