Liderança do açaí no Pará expõe motivo do preço alto do fruto em Belém; entenda

Vídeo mostra açaí sendo descartado no rio Guamá após três dias sem venda na capital

Publicado em 25 de fevereiro de 2026 às 19:11

Comerciantes descartando o fruto estragado na tradicional Feira do Açaí, em Belém.
Comerciantes descartando o fruto estragado na tradicional Feira do Açaí, em Belém. Crédito: Reprodução/Instagram

Um vídeo divulgado nas redes sociais pela liderança Jhoy Gerald, conhecido pelo movimento em defesa do açaí no Pará, voltou a colocar em evidência o preço do fruto em Belém nesta quarta-feira (25). Nas imagens, é possível ver açaí sendo descartado na Baía do Guajará após permanecer dias sem comercialização na tradicional Feira do Açaí.

Segundo ele, o valor considerado elevado, praticado por produtores de diferentes regiões do estado, tem impactado diretamente o comércio local e o consumidor final.

“Olha o que está acontecendo dentro de Belém, jogando fora o nosso fruto. Sabe por quê? Três dias lá, muito caro. O batedor artesanal não consegue consumir esse preço”, afirmou.

Preço alto e fruto impróprio

De acordo com Jhoy, o açaí chega à capital vindo de vários municípios e precisa ser vendido rapidamente, já que é altamente perecível.

“Quando ele chega em Belém, tem que ser vendido no mesmo dia. Ele não pode ficar mais no barco, precisa ser consumido nas 24 horas depois que chega”, explicou.

O problema, segundo ele, é que o preço não baixa nos primeiros dias de oferta, o que dificulta a compra por parte dos batedores artesanais. Com isso, o fruto acaba ficando impróprio para consumo.

“Só querem baixar o preço quando fica impróprio, podre para consumo. A gente não pode comprar um fruto caro que já está estragando”, declarou.

Impacto no consumidor

A alta no valor do “ouro roxo” também atinge diretamente a população. Jhoy afirma que o tradicional açaí popular, muitas vezes consumido como base da alimentação diária, já ultrapassa valores considerados acessíveis.

“Você não consegue mais pagar R$ 30 num açaí popular. A população quer manter a alimentação do dia a dia”, disse.

Ele também defendeu maior fiscalização nas feiras da capital para evitar que o fruto seja comercializado fora das condições ideais.

Assista:

O cenário expõe a dificuldade enfrentada por batedores e consumidores em um estado que é o maior produtor de açaí do país, mas que vê o preço do fruto pesar no bolso de quem depende dele diariamente.