Publicado em 27 de agosto de 2026 às 20:04
A mãe de Yasmin Macêdo, Eliane Fontes, publicou nas redes sociais uma carta aberta direcionada à advogada que defendeu Lucas Magalhães durante o julgamento sobre a morte da jovem. Na publicação, ela criticou a forma como Yasmin foi mencionada durante os debates no Tribunal do Júri e afirmou que a família considerou alguns argumentos utilizados pela defesa como uma tentativa de responsabilizar a vítima.>
Na carta, Eliane afirmou que ficou marcada ao ouvir referências à vida pessoal da filha durante a defesa. Segundo ela, Yasmin teria sido chamada de "bêbada" e associada a uma vida de festas. Para a mãe, a estratégia ultrapassou os limites da defesa e atingiu a memória da jovem.>
"Para nós, foi uma violência desnecessária contra a memória de uma jovem que não está mais aqui para se defender.">
Eliane também questionou a falta de empatia que, segundo ela, teria sido demonstrada durante o julgamento, considerando que familiares de Yasmin acompanhavam a sessão.>
A mãe afirmou ainda que a família conhece a trajetória da jovem e que as características apresentadas durante a defesa não correspondem à pessoa que eles conheceram. Na publicação, ela descreveu Yasmin como filha, amiga, estudante, além de uma jovem doce, amorosa e cheia de sonhos.>
Julgamento>
Lucas Magalhães foi julgado nesta terça-feira (25), no 2º Tribunal do Júri de Belém, em uma sessão que durou mais de 14 horas. O Conselho de Sentença absolveu o réu das acusações da morte de Yasmin e fraude processual, mas o considerou culpado pelos crimes de porte ilegal e disparo de arma de fogo.>
Durante os debates, a defesa contestou a relação entre as condições da embarcação e o desaparecimento de Yasmin. Os advogados sustentaram que não seria possível prever a tragédia e argumentaram que a própria jovem teria se colocado em situação de risco ao entrar na água.>
A defesa também afirmou que a lotação da lancha não teria relação com o fato de Yasmin ter entrado na água. Os advogados pediram a absolvição de Lucas da acusação de homicídio e, em caso de condenação, defenderam que a responsabilização ficasse restrita aos crimes envolvendo a arma de fogo.>
O Ministério Público apresentou outra linha durante os debates. O promotor Edson Augusto Cardoso de Souza sustentou a desclassificação da acusação de homicídio doloso para homicídio culposo, apontando as circunstâncias do passeio e a conduta atribuída a Lucas.>
Já o assistente de acusação, advogado Madson Nogueira da Silva, defendeu a existência de dolo e apresentou aos jurados argumentos relacionados à quantidade de pessoas na embarcação, ao volume do som e aos disparos realizados durante a noite.>
Pena>
Pelos crimes relacionados à arma de fogo, Lucas foi condenado a quatro anos e 10 meses de prisão. A pena será cumprida em regime semiaberto, mas ele permanecerá em liberdade, conforme determinado na sentença.>
Na carta publicada dois dias após o julgamento, Eliane afirmou que, a partir de agora, a página que era dedicada à campanha "Justiça por Yasmin" será transformada em um memorial para preservar a história da filha.>
"Yasmin merece ser lembrada pelo que foi, pelo amor que deixou, sonhos que tinha e pessoa maravilhosa que conhecemos", escreveu a mãe.>
Eliane encerrou a publicação afirmando que os argumentos apresentados durante o julgamento não mudam a forma como a família enxerga Yasmin e que continuará contando a história da filha "com amor, verdade e dignidade".>
Confira:>