Mangueirão celebra 48 anos como templo do futebol e palco de momentos históricos no Pará

Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença reúne clássicos, recordes, jogos da Seleção Brasileira, acesso histórico do Remo à Série A e grandes eventos culturais ao longo de quase cinco décadas

Publicado em 4 de março de 2026 às 17:07

Mangueirão celebra 48 anos como templo do futebol e palco de momentos históricos no Pará
Mangueirão celebra 48 anos como templo do futebol e palco de momentos históricos no Pará Crédito: Roni Moreira/Agência Pará

Nesta quarta-feira, 4 de março, o Estádio Olímpico do Pará – Jornalista Edgar Proença, o Mangueirão, completa 48 anos de história. Inaugurado oficialmente em 4 de março de 1978, o maior palco do esporte paraense se consolidou como símbolo de emoção, rivalidade e grandes conquistas em Belém.

Projetado pelo arquiteto paraense Alcyr Meira, em 1969, o estádio foi idealizado pelo então governador Alacid Nunes (1966-1971). Quando abriu as portas, recebeu o nome de Estádio Olímpico do Pará Alacid Nunes. O ex-governador faleceu em 2015, aos 90 anos.

A primeira bola na rede

A estreia extraoficial aconteceu em 20 de fevereiro de 1978, quando o Clube do Remo venceu o Operário-MS pelo Campeonato Brasileiro de 1977. Já a inauguração oficial ocorreu em 4 de março daquele ano, com a seleção paraense — formada por jogadores de Remo, Tuna e Paysandu Sport Club — goleando a seleção uruguaia por 4 a 0. O primeiro gol da história do estádio foi marcado por Mesquita, atleta azulino.

O apelido “Mangueirão” nasceu da criatividade do cronista esportivo Moacir Calandrini e rapidamente virou marca registrada do estádio.

Recordes e clássicos históricos

O maior público da história foi registrado na final do Campeonato Paraense de 1999: 65 mil torcedores acompanharam a vitória do Remo por 1 a 0 sobre o Paysandu.

Os cinco maiores públicos do estádio são:

  1. Paysandu 0 x 1 Remo – 65 mil pessoas (11/07/1999)

  2. Paysandu 1 x 1 Remo – 64.010 torcedores (29/04/1979)

  3. Paysandu 2 x 0 Fluminense – 60 mil torcedores (20/09/1998)

  4. Paysandu 2 x 4 Boca Juniors – 57.930 torcedores (15/05/2003)

  5. Remo 1 x 2 Paraná Clube – 56 mil espectadores (05/11/2000)

O estádio também foi palco da campanha histórica do Paysandu na Copa Libertadores de 2003, incluindo o confronto diante do Boca Juniors, que registrou 57.330 torcedores — maior público pós-reforma.

Maior campeão do Mangueirão, o Paysandu soma 22 títulos conquistados no estádio, incluindo a Série B de 1991, além de diversos Campeonatos Paraenses, Copa Verde (2018) e Supercopa Grão-Pará (2025).

O Remo também coleciona capítulos marcantes no local, como o tricampeonato estadual confirmado em 1991, o histórico pentacampeonato (1993-1997), a campanha perfeita de 2004, além dos bicampeonatos de 2014-2015 e 2018-2019. Em 2014, venceu o clássico Re-Pa de número 700 no Mangueirão.

Acesso histórico à Série A

Entre os capítulos mais recentes e emocionantes da história do estádio está o acesso do Remo à Série A de 2026. Em uma noite inesquecível no Mangueirão, o Leão venceu o Goiás Esporte Clube por 3 a 1 e garantiu o retorno à elite do futebol brasileiro após mais de três décadas.

O Goiás abriu o placar logo aos 6 minutos, com Willean Lepo. O empate azulino veio ainda no primeiro tempo, aos 48’, com Pedro Rocha. Na etapa final, João Pedro virou o jogo aos 17 minutos e ampliou aos 38’, selando a vitória e a festa da torcida em casa, em uma das noites mais emblemáticas já vividas no estádio.

Reformas e modernização

A primeira grande reforma ocorreu entre 2000 e 2002, também sob o projeto de Alcyr Meira. Em 1º de maio de 2002, o estádio foi reinaugurado com o nome atual, em homenagem ao radialista e jornalista Edgar Augusto Proença (1892–1973), fundador da Rádio Clube do Pará (PRC-5), em 1928, e considerado “A Voz do Pará”.

Na reinauguração, em 5 de maio de 2002, Remo e Paysandu empataram em 2 a 2, com Balão marcando o primeiro gol da nova fase.

Entre 2021 e 2023, o Mangueirão passou por uma transformação completa. Reaberto em 9 de abril de 2023, com um clássico Re-Pa diante de mais de 45 mil torcedores, o estádio ganhou novas rampas de acesso, saídas que permitem evacuação em menos de 10 minutos, estacionamento ampliado para 9 mil veículos, novos banheiros, áreas de alimentação e camarotes, modernização do som e da iluminação, placas solares, reaproveitamento de água da chuva, nova pista de atletismo e gramado Bermuda Celebration.

Também foram implantadas salas sensoriais para pessoas com Transtorno do Espectro Autista, Delegacia do Torcedor, batalhão policial e postos médicos.

Seleção Brasileira, atletismo e grandes eventos

O Mangueirão recebeu a Seleção Brasileira em diversas ocasiões, como nos amistosos contra Chile (1990) e Marrocos (1997), nas Eliminatórias contra Venezuela (2005) e Bolívia (2023), além do Superclássico das Américas contra a Argentina, em 2011. Neste último, 45 mil torcedores cantaram o Hino Nacional à capela, em um momento que marcou o país.

No jogo contra a Bolívia, válido pelas Eliminatórias da Copa de 2026, o Brasil venceu por 5 a 1, e Neymar marcou dois gols, superando a marca de Pelé com a camisa da Seleção.

No atletismo, o estádio recebeu, em 2005, o Grande Prêmio Brasil de Atletismo, com mais de 40 mil espectadores — o maior público da América Latina para a modalidade.

Além do esporte, o Mangueirão também é palco de grandes eventos culturais e religiosos, como o show de Alok, em 2024, o festival Vem Louvar Pará e o Global Citizen, em 2025, com artistas como Anitta e Chris Martin.

Quase cinco décadas depois da inauguração, o Mangueirão segue como o principal templo do esporte paraense — cenário de títulos, recordes, acessos históricos e da paixão que move gerações de torcedores em Belém.