Menina de 11 anos morre vítima de Doença de Chagas em Ananindeua

O irmão da vítima, também criança, segue internado em um hospital particular de Belém, após diagnóstico positivo para a doença

Publicado em 25 de janeiro de 2026 às 09:04

Menina de 11 anos morre vítima de Doença de Chagas na Grande Belém - 
Menina de 11 anos morre vítima de Doença de Chagas na Grande Belém -  Crédito: Reprodução/Redes Sociais e Agência Pará

A morte de Maria Luiza Rodrigues, de 11 anos, após contrair Doença de Chagas, preocupa as autoridades sanitárias devido o avanço da infecção na Região Metropolitana de Belém. A menina, moradora de Ananindeua, não resistiu após desenvolver insuficiência cardíaca, complicação considerada grave da enfermidade.

Conforme informações de pessoas próximas à família da criança, ela estava internada desde o dia 11 deste mês no Hospital Beneficente Portuguesa, no bairro do Umarizal, em Belém, onde exames laboratoriais confirmaram a infecção. O sepultamento ocorreu na tarde do sábado (24), em um cemitério particular.

Ainda conforme testemunhas, Maria Luiza teria consumido açaí no município de Ananindeua antes de ser diagnosticada com a doença. Um irmão da vítima, também criança, permanece hospitalizado e teve diagnóstico positivo para Doença de Chagas.

O caso se soma a um cenário considerado preocupante pelas autoridades locais. Em comunicado oficial, a Prefeitura de Ananindeua informou que o município já registra 37 casos confirmados da doença, além de três mortes. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a situação vem sendo monitorada de forma permanente, com adoção das diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

"Como resposta ao aumento das notificações, o município intensificou ações de vigilância e prevenção, com foco especial na cadeia produtiva do açaí. As fiscalizações envolvem equipes da Vigilância Sanitária e Ambiental, além de parcerias com a Casa do Açaí, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a Polícia Municipal. O objetivo é reforçar orientações sobre higiene, manipulação e armazenamento do produto", informou o município.

No âmbito estadual, a Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa) esclareceu que os dados sobre novos casos e óbitos são consolidados a partir de notificações feitas pelos municípios em sistema próprio, com atualização semanal. A pasta informou ainda que tem promovido reuniões técnicas para fortalecer a investigação epidemiológica e ampliar medidas preventivas. A orientação à população é que pessoas com sintomas procurem, inicialmente, uma Unidade Básica de Saúde.

Mortes recentes no município

Além de Maria Luiza, outras mortes por Doença de Chagas foram registradas em Ananindeua. Entre elas está a do jovem Ronald Maia da Silva, de 26 anos. Conforme relato de familiares, ele começou a apresentar sintomas no início de dezembro de 2025 e buscou atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento do município e em prontos-socorros da capital.

Ronald foi internado no Pronto-Socorro da Augusto Montenegro no dia 27 de dezembro e morreu quatro dias depois, no dia 31.

Dados da Sespa mostram que, em 2026, até agora, três casos da doença foram confirmados no Pará. Em anos anteriores, o estado registrou 466 casos e oito mortes em 2025; 494 casos e seis óbitos em 2024; 537 confirmações e três mortes em 2023; e 347 casos com cinco óbitos em 2022.