MP fala sobre investigação que apura envolvimento de delegado em casos de lavagem de dinheiro e corrupção no Pará

Investigação aponta uso de inquéritos e procedimentos policiais para pressionar investigados e obter vantagens financeiras; valores movimentados chegam a quase R$ 3 milhões

Publicado em 14 de agosto de 2026 às 13:41

MP fala sobre investigação que apura envolvimento de delegado em casos de lavagem de dinheiro e corrupção no Pará
MP fala sobre investigação que apura envolvimento de delegado em casos de lavagem de dinheiro e corrupção no Pará Crédito: Roma News 

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) denunciou 20 pessoas investigadas por suspeita de participação em um esquema de corrupção, organização criminosa, extorsão e lavagem de dinheiro. Entre os denunciados estão integrantes e ex-integrantes do próprio Ministério Público, delegados, policiais civis, advogados e servidores públicos.

Segundo informações apresentadas durante coletiva realizada nesta sexta-feira (14), as investigações começaram em 2024 e apontam que procedimentos policiais e inquéritos teriam sido utilizados para pressionar investigados e possíveis vítimas em busca de vantagens financeiras.

De acordo com Lauro Freitas Júnior, coordenador do Centro de Inteligência (CI), a apuração identificou indícios de um esquema de extorsão envolvendo diferentes grupos.

“Havia um pedido de dinheiro para as vítimas e, dependendo do nível de negociação, algumas vítimas eram ajudadas e outras não”, explicou Lauro.

Ainda segundo o coordenador, quando os integrantes do grupo identificavam uma possibilidade maior de ganho financeiro, determinados casos eram retirados de advogados e direcionados para advoados envolvidos na organização.

A investigação aponta ainda que os suspeitos teriam assumido procedimentos envolvendo casos de grande repercussão, como o chamado “Jogo do Tigrinho”, para posteriormente pressionar os investigados e negociar pagamentos.

O coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), Danyllo Colares, afirmou que foram identificadas situações em que o delegado Arthur Nobre teria exigido pagamentos de investigados. Segundo ele, os valores seriam repassados por Pix, em espécie ou por meio de terceiros.

“Foi possível perceber um modo de agir comum, em que havia a instauração de um inquérito direcionado e, posteriormente, começava uma negociação com o delegado”, afirmou Danyllo.

Segundo o Ministério Público, os valores movimentados no suposto esquema chegam a quase R$3 milhões. A investigação busca recuperar possíveis valores obtidos de forma ilícita e responsabilizar os envolvidos.

Parte dos valores obtidos de forma ilícita teria sido usada para pagar cartões de crédito, financiar viagens e custear outras despesas pessoais.

Danyllo Colares informou que mais de 30 pessoas foram ouvidas durante cerca de dois meses de investigação. A apuração alcançou policiais, contadores, advogados, promotores e outros servidores públicos.

Como parte dos investigados possui foro por prerrogativa de função, as denúncias foram apresentadas pela Procuradoria-Geral de Justiça. O MPPA informou que as investigações continuam e que novas pessoas poderão ser incluídas no caso, caso sejam identificadas provas de participação no esquema.

Lauro Freitas Júnior explicou que, neste momento, a prisão não é necessariamente considerada a medida mais eficaz contra os investigados. Segundo ele, o afastamento das funções públicas pode ser adotado para evitar possíveis interferências na apuração.

“A prisão não é a medida mais eficaz. A depender da postura do investigado, se ele estiver ameaçando testemunhas ou destruindo provas, aí sim poderá ser determinada a prisão”, explicou.

Danyllo Colares também afirmou que o Ministério Público já solicitou o afastamento de servidores apontados na investigação.

“Já estamos pedindo a exoneração e o desligamento de vários servidores públicos envolvidos”, declarou.