Publicado em 10 de fevereiro de 2026 às 15:22
O Ministério Público Federal acionou o governo do Pará e cobrou providências urgentes diante do impasse registrado na aldeia Tete y Kukun, território do povo indígena Turiwara, localizada no município de Tomé-Açu, no nordeste do estado. A situação envolve a atuação de seguranças privados armados na região e gerou mobilização de forças policiais nesta segunda-feira (09).>
De acordo com informações encaminhadas ao MPF, indígenas interceptaram, no sábado (7), quatro agentes de segurança privada que realizavam rondas nas proximidades da aldeia. Sem apresentar justificativas claras sobre a presença no local, os seguranças foram conduzidos até a comunidade, onde permaneceram enquanto lideranças indígenas aguardavam esclarecimentos formais.>
Diante do cenário de tensão, uma força-tarefa foi acionada e deslocou equipes da Polícia Militar, incluindo reforço da Tropa de Choque, para acompanhar as negociações. Paralelamente, uma reunião interinstitucional foi iniciada com a participação de representantes do MPF, lideranças indígenas Turiwara e Tembé, Funai, Polícia Federal, Polícia Civil, além de pesquisadores de universidades federais e representantes da empresa Sapucaya, que atua na região com cultivo de dendê.>
Em ofício encaminhado ao governador Helder Barbalho, o procurador da República Adriano Augusto Lanna de Oliveira solicitou o envio imediato de representantes do governo estadual à aldeia. O documento estabelece prazo de 24 horas, considerado improrrogável, para que o Estado promova diálogo direto com as lideranças indígenas e contribua para a solução pacífica do conflito.>
O MPF também pediu esclarecimentos sobre uma possível ligação entre os seguranças privados interceptados e o governo do Pará, informação que, segundo o órgão, chegou por meio de relatos das próprias comunidades indígenas.>
Para os Turiwara, a liberação dos agentes retidos está condicionada à presença de autoridades estaduais no local. A comunidade afirma que a atuação dos seguranças levanta suspeitas sobre interesses institucionais na área.>
No documento, o MPF reforça que qualquer atuação policial em contextos envolvendo povos indígenas deve ser tratada como medida extrema, adotada apenas quando não houver alternativas. O procurador ressalta que ações desse tipo precisam observar critérios rigorosos de legalidade, necessidade e proporcionalidade, sempre precedidas por tentativas reais de mediação.>
A recomendação do órgão é que o Estado priorize soluções baseadas no diálogo institucional, com envolvimento de órgãos especializados, como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), além do próprio Ministério Público e demais entidades competentes.>
Até o momento, o governo do Pará não informou oficialmente se enviará representantes à aldeia dentro do prazo estabelecido pelo MPF.>