MPPA apura denúncia de perseguição e homofobia contra casal de policiais civis no Pará

Procedimento administrativo investiga acusações de abuso de autoridade e tratamento discriminatório envolvendo um delegado da Polícia Civil em Marabá.

Publicado em 14 de julho de 2026 às 17:35

MPPA apura denúncia de perseguição e homofobia contra casal de policiais civis no Pará
MPPA apura denúncia de perseguição e homofobia contra casal de policiais civis no Pará Crédito: Reprodução/Divulgação

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) instaurou um procedimento administrativo para apurar denúncias de perseguição, homofobia e abuso de autoridade feitas por um casal de policiais civis contra um delegado da Polícia Civil que atua na região de Marabá, no sudeste do estado.

As denúncias foram apresentadas por uma delegada e uma investigadora que trabalhavam na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) do município. Segundo elas, a determinação para que deixassem de atuar juntas em plantões teria partido da chefia regional, sem justificativa formal.

As servidoras afirmam que, inicialmente, foram informadas apenas de que não poderiam mais trabalhar na mesma equipe por "ordens superiores". Posteriormente, receberam a explicação de que casais não poderiam dividir plantões. No entanto, elas alegam que a regra não era aplicada a casais heterossexuais da corporação, que continuavam atuando juntos normalmente.

Além da suposta diferenciação no tratamento, as policiais afirmam que passaram a ser alvo de comentários e rumores no ambiente de trabalho, incluindo acusações de comportamento inadequado dentro da unidade policial.

As denúncias levaram o caso à Corregedoria da Polícia Civil e ao Ministério Público. Segundo o MPPA, o procedimento não se limita à conduta atribuída ao delegado, mas também busca verificar possíveis falhas na gestão funcional da 10ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp), responsável pela coordenação das unidades da região.

As duas policiais estão afastadas das atividades desde março deste ano para tratamento de problemas psicológicos. Elas afirmam que o ambiente de trabalho se tornou insustentável e atribuem o quadro ao tratamento recebido após a mudança na escala de serviço.

Em um dos relatos apresentados às autoridades, uma das policiais também acusa o delegado de desqualificar publicamente atestados médicos de servidoras e de adotar postura considerada intimidatória em relação a afastamentos por motivos de saúde.

Em nota, a Polícia Civil informou que as denúncias são apuradas pela Divisão de Crimes Funcionais (DCRIF), por meio de procedimento que segue em andamento. Até o momento, o delegado citado nas denúncias não se manifestou publicamente sobre as acusações.